Google plus ça change - Exame Informática

Google plus ça change

04/08/2011 09:13:44

O assunto das últimas semanas tem sido o Google Plus, a primeira rede social do Google. A primeira não, desculpem: antes a Google já tinha lançado, sem sucesso, o Google Wave. Não, a segunda não, a terceira: antes a Google já tinha lançado o Google Buzz. Não, a terceira não, a quarta: antes a Google já tinha lançado o Orkut.

Estranho? Não. Depois de 20 anos de uso de Internet e 25 anos de uso de telecomunicações informáticas uma pessoa vai-se habituando a ver as histórias repetidas.

O Twitter fez há uns meses 5 anos. É verdade, não apareceu o ano passado, existe desde 2006. Registei-me um ano depois em 2007 e não liguei muito. Passei depois a usar intensivamente a partir do fim de 2007. Mas o facto é que, podendo parecer uma novidade para muitos, o Twitter não é mais do que uma versão do IRC do fim do anos 90 (que muitos chamavam de mIRC erradamente). Sendo certo que, na verdade, a inspiração para o Twitter começou como uma extensão do conceito de status que era usado no ICQ, no MSN e outros.

O Facebook começou em 2004 mas antes já existiam o Hi5 e o MySpace. Antes do Hi5 e do MySpace já existia o Friendster. Os blogs já vão ficando fora de moda, mas mais não eram do que uma evolução dos grupos de news Usenet. E estes últimos tinham muito das listas Listserv da Bitnet e dos tópicos da Fidonet (ah! A Fidonet... uma rede social em que um gajo para se ligar outro tinha mesmo de ligar com o modem de um lado ao outro... só para homens de barba rija...). E a inspiração mais directa do Google Plus foi uma rede social chamada Friendfeed que acabou por ter sido comprada pelo Facebook (nunca percebi muito bem para quê). De facto o interface do Google Plus é uma cópia chapada do Friendfeed.

A experiência de anos no uso destas várias comunidades online também me permite ver outra história repetida.

No início de cada uma destas comunidades há um grupo reduzido de utilizadores, nomeadamente os early adopters. Esse grupo reduzido permite que a comunidade em causa seja bastante coerente, produzindo informação e a sua partilha com alto valor acrescentado. Depois, lentamente, vão aparecendo mais utilizadores, com um aumento correspondente mas cada vez mais marginal de produção de valor. A partir de certo ponto, nomeadamente quando a comunidade online ou um subgrupo (círculo de amigos) atinge o número de Dunbar (150), a coisa entra em ruptura começando rapidamente a perder valor (lembram-se dos colecionadores de cromos?). O facto de passar a haver pessoas que não se conhecem leva, rapidamente a discussões infindáveis e à agressão pessoal. Passa a haver utilizadores que se valem da comunidade para fins diversos da mesma (comerciais, por exemplo, ie. Spam). E todas as conversas, de acordo com a lei de Godwin, acabam por terminar com guerra sobre política, Salazar ou Hitler.

Os newsgroups eram giros até surgir o spam. O IRC era giro até aparecerem os Zézés Camarinhas do online. Os blogs eram giros até aparecerem os anónimos. O Facebook era giro até aparecer o Farmville. O Twitter era giro até aparecerem os colecionadores de cromos.

O Google Plus está neste momento no início, sendo certo que foi a rede social que mais rápido cresceu (20 milhões de utilizadores em pouco mais de 2 semanas). Ainda tem o feeling de uma comunidade pequena, de interesse, de criação de valor. Embora o G+ tenha mecanismos novos e diferentes para gerir o crescimento da comunidade, é inevitável que acabe por se transformar num espaço inviável que deixa de ter interesse para o grupo inicial de utilizadores. E venha o próximo espaço online onde se possa interagir de forma válida sem ter que apanhar com os chatos.

É caso para dizer que com o Google Plus: plus ça change...

Sobre o autor

Mário Valente podia ter sido apenas mais um licenciado de informática, mas o seu currículo diz-nos que foi também líder do primeiro ISP privado português (Esotérica), que se dedicou a algumas piratarias (Transpac/PCPursuit) e a algumas passagens por cargos de chefia (ITIJ, no Ministério da Justiça, e Personalis). Pelo meio ainda arranjou tempo para servir ao balcão e tocar guitarra em bares. Entrado na ternura dos 40, cortou o cabelo e começou a dar aulas na Universidade. Em paralelo, criou a empresa Maverick e passou a dedicar-se ao investimento em novas ideias de negócio no setor das tecnologias.




Palavras-chave do artigo
google, portais, facebook, internet

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Não podia estar mais em desacordo com a avaliação que faz do Google+, principalmente quando o compara ao Friendfeed. A inspiração pode ter sido semelhante mas o produto final está diferente como da noite para o dia. Nem me vou dar ao trabalho de descrever as diferenças ou estava aqui até a noite a escrever. Ainda assim, só o "Hangouts" e a total integração dos serviços Google na rede Google+ deita por terra essa teoria. Como utilizador tanto do G+ como do Facebook digo, ainda bem que o G+ é diferente do Face. Só quem utiliza o G+ já à algum tempo entende o que quero dizer com diferente. No entanto a sua opinião é tão válida como qualquer outra, assim como a minha.
Melhores cumprimentos!

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Ou talvez não

"Os newsgroups eram giros até surgir o spam. O IRC era giro até aparecerem os Zézés Camarinhas do online. Os blogs eram giros até aparecerem os anónimos. O Facebook era giro até aparecer o Farmville. O Twitter era giro até aparecerem os colecionadores de cromos."

Começa bem, de facto os newsgrups eram giros até surgir o spam, começa a perder a razão com o IRC: os Zezés não me incomodavam quando falava era com os meus amigos e por aí adiante perde-a toda.

- Blog: Não percebi se é uma referência aos comentários anónimos ou a blog anónimos. Em relação ao primeiro, ou desliga-se ou inclui-se Facebook comments. Em relação aos segundos...só lê quem quer;
- Facebook: Você sabe que é possível bloquear o Farmville certo?
- Twitter: Se não sabe, o Twitter permite que os seguidores tenham de ser autorizados.....

Este seu comentário é mesmo a roçar o cliche, tipico daqueles que ainda não perceberam que o Facebook tem uma coisa se chama listas, e que é possível publicar links e comentários só para essa lista (tal como no Google+).

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Re: Ou talvez não

creio que o problema no facebook e afins) não é propriamente eu enviar a mensagem para apenas os meus amigos ou grupos sociais restritos, mas o facto de a certa altura para ler algo interessante ou relevante, ter que filtrar 4 ou 5 páginas de lolcats, posts do zé jaquim a informar que hoje está com diarreia e afins, ou em alternativa restringir o numero de "amigos", ou passar mais tempo a editar listas de envio e privacidade do que propriamente a utilizar o serviço.

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Re: Google plus ça change

Este comentário é directamente dirigido ao Mário Valente.
Tendo em conta o seu passado de hacker, a experiência com servidores e nos cargos desempenhados, penso que nos poderá responder a algumas questões.
Face aos últimos acontecimentos das investidas de hackers a vários servidores de relevo, propunha que o próximo tema fosse dedicado a este tema.
Toda a gente sabe que não existem sistemas seguros, mas tão inseguros? É que até parece que as coisas são feitas com alguma facilidade. Com tanto especialista em segurança e as coisas são tão inseguras? Que está a falhar nestes sistemas de segurança?
Não tenho muita experiência na configuração de servidores (Linux), mas apesar de tomar as medidas básicas de segurança (com as quais eu julgava que estava minimamente seguro), afinal a segurança é pouca.
Obrigado e espero que ainda seja lido este comentário...

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Re: Google plus ça change

Talvez os MMORPGS e outros modelos de jogos Online possam dar essa sensação de comunidade, um pouco mais perenes e até mais liberais, no sentido que podemos fazer e ser algo ou alguem sem restriçoes reais.
As verdadeiras redes sociais no meu tempo eram 1º o meu prédio 2º a minha rua 3º o meu bairro :) alguem ja "postou" algumas vez na padaria a ultima musica de XYZ ? experimentem... vai ser uma viagem alucinante e divertida !

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Mário Valente podia ter sido apenas mais um licenciado de informática, mas o seu currículo diz-nos que foi também líder do primeiro ISP privado português (Esotérica), que se dedicou a algumas piratarias (Transpac/PCPursuit) e a algumas passagens por cargos de chefia (ITIJ, do Ministério da Justiça e Personalis). Pelo meio ainda arranjou tempo para ser servir ao balcão e tocar guitarra em bares. Entrado na ternura dos 40, cortou o cabelo e começou a dar aulas na Universidade. Em paralelo, criou a empresa Maverick e passou a dedicar-se ao investimento em novas ideias de negócio no setor das tecnologias.