Os humanos sempre tiveram dificuldade em ver os robôs como companheiros. O projecto Living With Robots and Interactive Companions (LIREC) quer acabar com essa "injustiça" através do trabalho de universidades e empresas europeias.
O projecto já produziu resultados em Portugal. No Grupo de Agentes Inteligentes e Personagens Sintéticas do Inesc-ID (GAIPS) foi criado software que permite que um robô tenha manifestações de alegria ou tristeza durante uma partida de xadrez. "Queremos criar um sistema que torne os robôs companheiros credíveis num longo prazo", explica Iolanda Leite, investigadora do GAIPS.
Os investigadores portugueses começaram a participar no LIREC em Março de 2008. Desde essa data, criaram duas aplicações para um robô iCat, da Philips: uma primeira em que o gato robótico se exprime enquanto joga xadrez contra um humano; e outra que torna o autómato num "companheiro" de um de dois humanos que jogam xadrez. Em ambas as situações, o robô assume expressões faciais e profere frases de desalento, alegria ou tristeza em consonância com o jogo.
Em Maio de 2009, as aplicações foram testadas com crianças das equipas do Clube de Xadrez da Mata de Benfica, Lisboa. "Há factores que fazem variar a atenção das crianças. Um deles é a novidade, que se perde passado tempo. E por isso queremos criar funções, como a memória de jogos passados ou o reconhecimento das expressões faciais dos jogadores", acrescenta Iolanda Leite.
Também para telemóveis
As aplicações do GAIPS também já foram transpostas para jogos de xadrez de smartphones. Tanto na versão robotizada como na virtual, a aplicação tem por base modelos de "emoções" da área da psicologia, que permitem escolher reacções predefinidas face às expectativas de cada jogada sobre o tabuleiro.
Aos modelos da psicologia, os investigadores do GAIPS juntaram a tecnologia Emoctivector criada no Instituto Superior Técnico. Todos estes recursos juntos, permitiram criar uma aplicação com nove tipos de reacção predefinidos. André Pereira, investigador do GAIPS, lembra que ainda há muito trabalho a fazer nesta área: "Queremos tornar possível a interacção personalizada com o jogador e, para isso, talvez possamos recorrer ao reconhecimento de palavras-chave. Com esta evolução o robô já poderá desenvolver alianças e inimizades em vários jogos".
A psicologia ajuda
Com a tecnologia criada no GAIPS, o iCat passou a dizer, no momento certo e em consonância com o decurso de uma partida de xadrez, um total de 100 frases em português, no âmbito de nove reacções possíveis.
Caso o jogador não execute uma jogada pedida ou faça travessuras, o robô pode proferir uma reprimenda. Depois do iCat, os investigadores do GAIPS pretendem criar sistemas que permitam estabelecer relações de companheirismo entre o robô Plio (um dinossauro) e uma criança, através do reconhecimento de imagens. O robô NAO é outra máquina que poderá vir a ser estudada.