Projeto de lei da cópia privada tem taxas que são das mais elevadas e abrangentes da UE - Exame Informática

Projeto de lei da cópia privada tem taxas que são das mais elevadas e abrangentes da UE

Ao contrário do que a AGECOP defende, o projeto de lei da Cópia Privada propõe taxas que estão entre as mais elevadas e abrangentes da UE. O diretor de serviços do Direito de Autor do Ministério da Cultura diz que faz sentido esperar pela Comissão Europeia, antes de legislar.

27/01/2012 19:49:16

Com o projeto de lei 118/XII nenhum suporte de armazenamento escapa à aplicação de taxas
 

Questionado pela Exame Informática, Nuno Gonçalves não tem dúvidas: «O projeto de lei 118/XII coloca Portugal no top 10 da UE no que toca às compensações dos titulares de direitos de autor». O diretor de serviços do Direito de Autor acrescenta que esta análise tem em conta os valores propostos para as várias taxas, as famílias de suportes eletrónicos que passam a ser taxadas e as exceções que permitem a isenção de qualquer taxa.

Nuno Gonçalves assume que, do ponto vista técnico e jurídico, é o autor do projeto de lei 118/XII, mas lembra que a iniciativa legislativa apresentada na Assembleia da República sofreu alterações durante os debates realizados na Secção dos Direitos de Autor do Conselho Nacional da Cultura (onde têm assento várias entidades que representam autores e produtores de conteúdos).

Além de rejeitar a autoria política do Projeto de Lei 118/XII, o diretor de Serviços do Direito de Autor do Ministério da Cultura admite que «faria sentido esperar pelas propostas da Comissão Europeia, que devem ser feitas no final do verão».

Ciente das discrepâncias das taxas aplicadas no espaço europeu e da controvérsia gerada em torno da Cópia Privada, a Comissão Europeia lançou uma missão de mediação entre os representantes da indústria das tecnologias e dos direitos de autor. A missão de mediação, que foi delegada no ex-comissário europeu António Vitorino, deverá terminar no verão com a apresentação de um relatório que pode servir de base a uma nova diretiva europeia. «Esta mediação pode ajudar a harmonizar leis como a da Cópia Privada, e ajudar também a criar um modelo que possa ser aplicado tanto nos países ricos como nos países pobres da UE», atenta Nuno Gonçalves.

Nenhum dos dados aqui referidos foi abordado no debate realizado na Assembleia da República, em que todos os partidos com assento parlamentar consideraram genericamente positivo o projeto de lei proposto pela deputada socialista Gabriela Canavilhas e aceitaram levar o documento para debate na especialidade.

Os valores da discórdia

A análise de Nuno Gonçalves surge poucos dias depois de a Associação para Gestão da Cópia Privada (AGECOP, entidade que redistribui por autores e produtores os valores angariados pelas taxas) revelar um relatório que pretendia confirmar que, nos leitores de MP3 e nos cartões de memória, as taxas estavam abaixo da média registada em 22 países da UE. A Exame Informática acedeu ao documento que serviu de base a estas duas comparações (realizadas pela empresa Ogimatec) e chegou a conclusões diferentes.

Tendo por base o estudo Thuiskopie, que se reporta a 2010, a AGECOP refere que a taxa de 0,06 euros prevista pelo projeto de lei 118/XII para os cartões de memória está longe do valor médio de 0,33 euros por GB e do valor máximo de 4,87 euros por GB das taxas em vigor na UE. Só que esta comparação não refere que há cinco países da UE (entre eles Portugal) que não aplicam taxas aos cartões de memória; e também não refere o simples facto de serem os cartões de memória de 8 GB os mais procurados atualmente pelos consumidores. O que significa que grande parte dos portugueses passa a pagar pelo menos “oito vezes 0,06 euros” de taxa. Isto é 0,48 euros no total – um valor acima do praticado das taxas aplicadas em 11 dos países da UE que taxam os cartões de memória.

No segundo exemplo estimado a partir do relatório Thuiskopie, a AGECOP refere que os 0, 50 euros por GB são menos de metade do valor médio (1,077 euros/GB) e 12 vezes menos que o valor máximo praticado na UE (6 euros/GB). Mais uma vez não refere que há, pelo menos, cinco países da UE que não aplicam a taxa (Portugal está neste lote) e também não há qualquer informação sobre os oito países que têm taxas mais baixas que as praticadas a cada GB… mas se se tiver em conta que, hoje, a grande maioria dos consumidores prefere leitores de MP3 com mais de 2GB, é possível chegar à conclusão que as taxas propostas pelo projeto de lei 118/XII acabam por ter um valor absoluto bem maior.

Taxas com todos

Foi na Associação Nacional do Software Livre (ANSOL) que se ergueram as primeiras vozes contra as posições defendidas recentemente por João David Nunes, presidente das AGECOP, face ao projeto de lei 118/XII.«É uma falsidade dizer que os consumidores não vão pagar o aumento de preços. Só não pagam se forem retiradas margens de lucro e houver prejuízo para os fabricantes e para os importadores. Como estamos num mercado livre, é claro e evidente que os consumidores vão comportar os custos. Em França praticamente deixaram de se vender NAS com discos rígidos, porque aumentava significativamente o preço e as pessoas não compravam. O mesmo vai acontecer cá», prevê Rui Miguel Seabra, presidente da ANSOL, num e-mail enviado para a Exame Informática.

No caso dos discos rígidos o projeto de lei 118/XII pode ser mesmo considerado dos mais ousados no valor das taxas. E isto porque o projeto de lei 118/XII não prevê qualquer limite máximo para a taxa. Resultado: com uma taxa de dois cêntimos por GB, um vulgar disco rígido de 1TB passa a ter uma taxa de 20,48 euros por 1TB. Nos gravadores de DVD, nas máquinas fotográficas, nos telemóveis ou nas impressoras é possível descobrir múltiplos exemplos que confirmam que as taxas propostas pelo projeto de lei 118/XII estão longe de ser as mais baixas da UE.

Sob anonimato, fontes contactadas pela Exame Informática apuraram ainda que, apesar destes valores colocarem Portugal no topo das compensações de autores, produtores e intérpretes, houve associações e entidades representativas do setor cultural que ficaram descontentes com as taxas que acabaram por constar no Projeto Lei 118/XII.

Os países sem taxas

Hoje, há cinco dos 27 países da UE que não aplicam qualquer taxa aos suportes eletrónicos que permitem fazer cópias para uso privado: Irlanda, Reino Unido, Chipre, Luxemburgo, Malta e Chipre. Na Irlanda, Chipre e Reino Unido não se seguiu as exceções previstas pela diretiva europeia 2001/29/CE e por isso a cópia para uso privado é proibida (apesar de não ter efeitos práticos) e por isso não contempla a compensação de autores ou produtores. Malta e Luxemburgo optaram pela exceção, mas não aplicaram qualquer taxa.

Na Holanda, foi adotada a exceção, mas existem mecanismos que permitem suspender a aplicação de taxas (o que acontece atualmente).

Na Espanha, depois de um período com um modelo de taxas aos equipamentos eletrónicos optou-se por delegar no estado a compensação dos autores e produtores e «por sinal vai ser bem menor do que os valores que estavam em vigor com as taxas», lembra Nuno Vasconcelos.

Palavras-chave do artigo
autores, cópia privada, cópias, direitos de autor, gabriela canavilhas, pirataria, taxas

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Direitos de Autor e Patentes

O mal não é eles existirem... O mal é não terem um prazo de validade justo para a sociedade e para o desenvolvimento cultural e tecnológico.

Por exemplo, as farmacêuticas já perderam esses direitos quase eternos ao ser criado um prazo máximo de protecção comercial, após esse tempo passa a ser genérico e qualquer empresa os pode produzir...

Veja-se essa diferença!... As pessoas não deixaram de comprar medicamentos!!! Pagam é um preço mais justo porque quem inventou deixou de ter direito de exclusividade e assim impor o preço que bem lhe apetece!

É estúpido e surreal que uma patente inventada á 30 anos para além de continuar privada ainda seja um produto de venda e compra nos mercados... Isso é um ataque aos direitos da sociedade!

A roda foi inventada e todos podemos produzir e usar rodas! Não faz sentido um empresa ter uma patente da roda e todos ter-mos de lhe pagar uma taxa... Isso é exploração da sociedade através de leis!

Os direitos devem existir para compensar quem desenvolve e inventa, mas com um prazo máximo de exploração comercial da ideia e que o prazo seja no máximo de 15 anos!
Findo esse prazo, a patente ou direito de autor, em toda a sua forma original passa para um banco de patentes públicas sobre a alçada das Nações Unidas, para que todos os povos as possam usar para o desenvolvimento tecnológico e cultural da sua população.

Se assim fosse assistiríamos a um salto tecnológico e cultural ainda mais superior ao que já tivemos nestes últimos 15 anos! Veja-se que as recentes guerras entre Apple's Samsung's Motorolas Sony's.... Muitas das patentes polémicas são anteriores a 1995!!! Faz algum sentido isto?!

Ficamos prisioneiros eternos de um punhado de empresas que compram as patentes e ficam donas do mundo e da sociedade???

A pirataria é a voz do povo, a forma de luta de um punhado de heróis em nome da sociedade contra o monetarismo (Capitalismo, Socialismo e Comunismo) e os monopólios de poder.

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Concordo contigo. As patentes e os direitos de autor têm de existir, mas não podem ser eternas. Em Portugal esse sdireitos estendem-se por 70 anos após a morte do artista. Não é eterno, mas quase...

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Vamos a ver, se eu comprar um cartão de memória para a minha máquina fotográfica, para fotografar a minha família, ou mesmo para a minha actividade profissional, vou ter que pagar uma taxa por pirataria ?
Então onde estáo presssuposto de que tomos somos inocentes até prova em contrário ? Eu que compro CDs de autores portugueses, livros de autores portugueses, aou considerado um pirata porque compro um leitor de MP3 ?
Ora se vou pagar uma taxa, significa que posso "piratar" o último CD do José Cid em vez de o comprar...
Este é um país do faz de conta, a SPA para manter a máquina que nada produz e só consome, quer que sejam os contribuintes a pagar.
Bye bye compras em Portugal, ou será que vão começar a inspeccionar a correspondência à moda da censura ?

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Em Portugal o mais normal é este tipo de equivalência, infelizmente. Quando é para o cidadão pagar seja o que fôr, somos os maiores da europa. As nossas taxas, os nossos impostos e por aí adiante. Só na hora de equiparar os nossos salários é que já não se aplica o mesmo principio.
Triste país este... Não vejo a hora de "arrumar a trouxa". Neste caso podem me chamar de rato pois vou mesmo "abandonar o navio". Por mim, o último a sair que apague a luz!!

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Eu também seguirei em breve, mas não me considero um rato mas sim um cidadão completamente desiludido com os seus contemporâneos...

Caminham todos para o abismo, tipo grupo de ovelhas que seguem a onda do grupo da frente... Por esta perspectiva deveríamos nos considerar as ovelhas negras em que a cor é nos atribuída com conotação negativa por quem manipula o rumo da maior parte do rebanho.

Os portugueses são todos um rebanho unido e fácil de manipular\dirigir... Tudo o que foi uma conquista de Abril está a ser privatizado para sermos escravos de um punhado de pessoas.
Os portugueses até reconhecem isso mas não conseguem reagir contar o instinto animal de seguir o grupo maior, que é aceitar e não reagir.

Não me considero uma ovelha ou um estorninho ou uma sardinha... Esses são vítimas fáceis de manipulação para serem "caçados" todos de uma vez.
Neste contexto considero-me mais uma andorinha, desloco-me e adapto-me fugindo aos predadores e ás leis da meteorologista. Quem não se movimenta por "maior" e duro que seja acaba sempre por tombar.

Não sou burro e saco de boxe, vou abandonar o barco porque nada posso fazer contra o capitão que manipula os seus marinheiros para a escravidão e tortura e que os próprios se recusam a acreditar.

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Bem, se vais deixar aqui o canto da Europa, então desejo-te boa sorte!
Tem é cuidado! Vai com certezas relativamente a contratos e condições de trabalho. Como bem sabes, muitos portugueses ao fugirem da "escravatura" de cá (entre aspas porque têm direito a dormir em casa e ganham uma gorgeta no final do mês), acabam por encontrar a verdadeira escravatura (agora sem aspas).

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Muita família e amigos em 4 países diferentes... Já escolhi e estou bem seguro e sobretudo confortável em termos de apoio. Se fosse para me mandar assim á tolinho já o tinha feito a 10 anos atrás lol Nunca confiei em me mandar sem uma bengala forte. Não estou desempregado nem estou na situação de muitos portugueses, mas a minha qualidade de vida vai dar um salto vertiginoso mesmo fazendo trabalhos em que as minhas qualificações de nada valem... Mas tenho planos profissionais já a curto/médio prazo, obviamente! :D

Aconselho a toda a gente nova a fazer-lo para que o país caia mais e para que os mamões que tem "os direitos" á custa da minha geração e o descaramento de aceitar este sistema, que sofram sem o nosso suor e que abram os olhos para a corrupção generalizada que é portugal. Política, justiça, medicina e educação, toda mas completamente toda corrupta. E o povo não sai á rua para a luta, aceita porque quem verdadeiramente sofre e mantém este sistema é a minha geração a que mais estudou e se qualificou mas que não tem quaisquer direitos.

Para mim chega. Voltarei quando o país ficar na bancarrota total e aí sim ser possível mudar alguma coisa, todo este sistema de falsa democracia á base da corrupção partidária\autárquica.

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"Foi na Associação Nacional do Software Livre (ANSOL) que se ergueram as primeiras vozes contra as posições defendidas recentemente por João David Nunes, presidente das AGECOP, face ao projeto de lei 118/XII.«É uma falsidade dizer que os consumidores não vão pagar o aumento de preços....»"

Isso já eu disse. Só uma pessoa que viva em Marte, ou muito mal intencionada é que diz o contrário

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