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Facebook paga a adolescentes para instalar aplicação que os espia

CHRISTOPHE SIMON / Getty Images

Desde 2016, que alguns utilizadores de Facebook, entre os 13 e os 35 anos de idade, têm sido secretamente pagos para instalar uma app de pesquisa chamada "Facebook Research". Ao instalá-la os utilizadores permitem que o Facebook tenha acesso a informações pessoais nos seus telemóveis.

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Francisco Garcia

O Facebook tem pago a jovens e adultos entre os 13 e os 35 anos de idade para instalar uma app chamada "Facebook Research", uma Virtual Private Network (VPN), que permite à rede social registar toda a informação do telefone e do histórico de navegação de Internet de quem a instala.

Ao garantir acesso de raiz ao tráfego da rede a quem descarregar a app, o Facebook está a violar políticas de privacidade por passar a ter acesso ao registo de atividade dos telefones dos utilizadores.

Segundo a BBC, a app Facebook Research permitia ter acesso a conteúdos privados como mensagens, imagens e vídeos, e-mails, histórico de Internet, de apps instaladas e de localização do utilizador do aparelho.

Desde 2016 que o Facebook tem vindo a pagar até 20 dólares (cerca de 17,5 euros) por mês para que os utilizadores instalem a app. Por vezes, a rede social também pedia aos voluntários que participaram no estudo de mercado o envio de um screenshot do histórico de compras na Amazon.

A revista avançou ainda que este programa tem sido administrado através de serviços beta tester como a Applause, a BetaBound ou a uTest, de forma encobrir o envolvimento da rede social no seu projeto de mapear as tendências mais populares numa escala global -- curiosamente este projeto é referenciado como "Project Atlas".

Para já o "Facebook Research" vai continuar a correr em sistemas operativos Android, embora ainda não se saiba se a decisão final da Apple vai ser remover o programa da AppStore, por não estar em consonância com a política de privacidade da empresa.

Facebook afirma não estar a 'espiar'

O Facebook justifica as condições propostas pela app serviam para completar o estudo de mercado que a empresa deseja fazer e não para espiar os dados pessoais dos utilizadores.

Segundo a BBC, uma representante da rede social afirmou que "não havia nada de secreto no processo. A aplicação chama-se "Facebook Research". Não se trata de 'espionagem', pois todos os utilizadores que assinaram os termos tiveram de concederam-nos permissão para obtermos os dados e ainda foram pagos para participar neste projeto".

Acrescentou ainda que menos de cinco por cento das pessoas que participaram neste teste de mercado eram adolescentes. Todos aqueles que participaram tinham um consentimento parental de como podiam participar no processo".

A Facebook disponibilizou outra app semelhante na App Store, da Apple, desde 2016, que através de um "root certificate" desbloqueava acesso ao software dos telemóveis em que estava instalada.

Em certos casos, a Apple pode permitir a instalação de "root certificates" (certificados da "raiz" da rede) , por exemplo, no caso de uma empresa disponibilizar um iPhone a um empregado, com o objetivo de instalar proteções e monitorizar as capacidades do dispositivo de forma a garantir alguma segurança.

De acordo com as regras de licenciamento da Apple, este tipo de certificados só devem ser usados apenas em contextos empresariais muito específicos, não sendo permitido que possa ser usado para os efeitos de estudo de mercado.

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