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Ex-campeão de Go abandona carreira por considerar inteligência artificial «invencível»

Crédito: Google

Lee Sedol continua a ser o único humano que conseguiu vencer uma partida de Go contra a ferramenta criada pela Deepmind, empresa-irmã da Google

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O sul-coreano Lee Sedol, ex-campeão do mundo e mestre no jogo Go, anunciou na semana passada que vai retirar-se enquanto jogador profissional e confirmou nesta semana que é por não conseguir vencer os sistemas de inteligência artificial (IA) criados para o jogo. «Com o lançamento da inteligência artificial nos jogos de Go, percebi que não estou no topo mesmo que me torne no melhor do mundo através de métodos frenéticos», disse em declarações à agência de notícias Yonhap.

«Mesmo que me torne no número um, há sempre uma entidade que não pode ser derrotada», acrescentou.

Go, um jogo de tabuleiro de estratégia, é considerado como um dos jogos mais complexos pelo grande número de possíveis jogadas disponíveis. Partidas entre jogadores profissionais chegam a durar mais de seis horas e era visto como um dos últimos grandes desafios que ainda não tinha sido "conquistado" por sistemas de inteligência artificial.

Lee Sedol, que já tinha o título de mestre e era reconhecido como o melhor jogador do mundo de Go, fez manchetes em 2016 por ter sido o adversário do jogador “artificial” criado pela Deepmind, empresa-irmã da Google, chamado Alpha Go. Num desafio composto por cinco partidas, Lee Sedol perdeu quatro jogos e ganhou um (a quarta partida), naquela que continua a ser a única vitória de um humano contra o sistema da Deepmind. O sul-coreano ainda sente os efeitos dessa derrota.

«Raramente leio comentários na internet de notícias sobre mim. Mas fiquei curioso sobre como as pessoas iam falar mal de mim depois de perder três jogos consecutivos para o AlphaGo. Inesperadamente, poucas pessoas me criticaram», partilhou em entrevista à agência sul-coreana Yonhap. «Honestamente, senti uma espécie de derrota mesmo antes dos jogos contra o AlphaGo. As pessoas da Deepmind pareciam muito confiantes logo de início».

Mais de três anos depois da partida contra o sistema da Deepmind, Lee Sedol ainda vê a vitória que teve como um erro do sistema. «A minha jogada [pedra branca, movimento 78, quarto jogo, 2016] não foi um movimento que devia ter sido confrontado de forma direta. Esse erro ainda acontece no Fine Arte [programa chinês de IA para o jogo Go]. O Fine Art dificilmente é batido mesmo depois de duas pedras de desvantagem contra os humanos. Mas quando perde, perde de forma estranha. É por causa de um bug», analisou Lee Sedol, sobre a jogada que fez o sistema da Google desistir na quarta partida no confronto de 2016.

Lee Sedol anunciou ainda que na próxima semana vai defrontar um novo sistema de inteligência artificial, chamado HanDol e criado na Coreia do Sul, como uma forma de “celebrar” a retirada do mundo profissional de Go.

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