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Japão quer recolher energia solar a partir de órbita terrestre

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O Japão pretende construir uma central energética solar que orbite o planeta e transmita energia a partir do espaço.

A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) pretende criar uma estação de energia solar no espaço até 2030. A Space Solar Power System (SSPS) será constituída por um conjunto de espelhos em órbita geoestacionária que recolhem a energia solar e a transmitem para uma estação na Terra, através de micro-ondas ou laser. Uma vez na estação terrestre, a energia pode ser usada para gerar eletricidade e hidrogénio.

Segundo o site Space Exploration Network, os defensores da tecnologia dizem que a mesma é capaz de fornecer energia de forma contínua e sem interrupções, dado que não é afetada pela hora do dia ou meteorologia do planeta.

Yasuyuki Fukumuro, que está à frente dos planos para a estação espacial japonesa, diz que “ainda não decidimos se vamos usar micro-ondas ou raios laser com a SSPS, ou se as vamos combinar de algum modo. Estamos neste momento a efetuar testes no solo para descobrir a forma mais eficiente de transmitir a energia”.

Esta não é, todavia, uma ideia propriamente nova. A possibilidade de criar uma estação de energia solar no espaço remonta a 1968, com o cientista norte-americano Peter Glaser. De lá para cá têm sido várias as questões que impossibilitaram a criação de um sistema destes, desde os elevados custos de levar para órbita os materiais necessários à sua construção até aspetos mais práticos como a transmissão da energia para a terra. Apesar de a atmosfera não afetar negativamente a recolha de energia num sistema do tipo SSPS (ao contrário do que acontece na Terra), continua a interferir com a transmissão dessa mesma energia para uma estação terrestre: um dos problemas é o facto de a atmosfera dispersar as micro-ondas ou raios laser usados na transmissão de energia, diminuindo a sua eficiência.

Fukumuro admite que a ideia apresenta vários desafios. Um deles é a precisão do sistema, dado que também não é fácil transmitir micro-ondas de uma altitude de 36 mil quilómetros e acertar na estação terrestre, mesmo que o alvo tenha 3 km de diâmetro.

De qualquer forma, os japoneses parecem estar empenhados em resolver os problemas associados à estação energética espacial. Desde o desastre de Fukushima em 2011 que o país procura novas fontes de energia. E esta, segundo Fukumuro, esta ideia tem ainda a vantagem de poder vir a revelar-se útil em situações de desastre. Caso haja um apagão, por exemplo, as autoridades poderiam desdobrar um disco coletor de micro-ondas, para receber e converter em eletricidade a energia vinda do espaço.

 

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