Rui Barbosa: o homem que prevê o futuro para os próximos 100 mil anos

22/10/2013 13:27

Um dia, todos os humanos poderão descarregar os conteúdos dos seus cérebros para suportes tecnológicos. Rui Barbosa vislumbra essa data longínqua com o livro «Informática Futura».

Corria o revolucionário ano de 1975, quando Rui Barbosa se deparou com a ideia germinal que o levou a escrever o livro “Informática Futura”. Enquanto caminhava pelo bairro das Picoas, em Lisboa, um colega de tendências trotskistas, questiona a decisão de fazer das tecnologias profissão. «Disse-me que a informática apenas servia para matar ainda mais pessoas. E aí eu parei e disse para mim próprio: “eu não quero ser um sacana e não quero ganhar dinheiro a fazer mal às pessoas”», recorda Rui Barbosa.

Passados 38 anos, e com o Período Revolucionário em Curso (PREC) remetido para os manuais de história, Rui Barbosa está em vias de cumprir um dos objetivos de vida que começou a ser traçado nesse encontro de teor político, com a publicação do livro «Informática Futura», na próxima segunda-feira, no Espaço Multicultural Urban Science. O livro faz uma previsão quanto ao futuro da humanidade e das tecnologias: começa em 2020; salta para 2050; aponta para o ano 3200; vislumbra 4500; e perspetiva a galáxia dentro de 100 mil milhões de anos.

Rui Barbosa admite ter recorrido a uma fonte de inspiração neste livro que é simultaneamente um exercício de previsões e de recolha de informação sobre a evolução tecnológica: «O livro tem por base o trabalho feito por Michio Kaku, da Universidade de Nova Iorque, sobre o futuro da Física, da Biologia e da Informática. Aproveitei o esqueleto dado pelo Michio Kaku, que prevê sete etapas de desenvolvimento civilizacional, mas fui eu que coloquei a carne sobre esse esqueleto, com o objetivo de analisar qual será o futuro da informática».

O livro pretende ser de leitura fácil: «Todas as pessoas que tenham pelo menos frequentado o liceu vão conseguir perceber o que está escrito», garante o especialista em bases de dados e inteligência artificial, que muitos anos antes da publicação do livro, concluiu parte da sua missão de usar as tecnologias em benefício da sociedade humana com a abertura do primeiro “chapter” português da Associação Mundial de Trans-humanismo.

Para quem acha que o Homem estará sempre no centro do Universo, «Informática Futura» pode funcionar como o prenúncio de uma nova ordem. Nessa nova era, a tecnologia é o motor que ajuda a humanidade a superar limitações, mas também lhe pode retirar o protagonismo que hoje ostenta. Os exemplos futuristas são variados: robôs moleculares criados com um genoma artificial que se combinam tanto para produzir energia como para combater doenças; um cenário de singularidade tecnológica, em que os homens são subordinados e geridos por robôs e computadores; androides com cérebros que funcionam de igual modo que os dos humanos;a exploração da galáxia através de fábricas autorreplicantes; ou dispositivos tecnológicos tão minúsculos que ninguém dá por eles e que se conjugam para assumir diversas funções.

O livro, de 200 páginas, tem a chancela da editora brasileira Biblioteca 24 Horas. Atualmente Rui Barbosa está a negociar a publicação e distribuição com editoras portuguesas. Na Internet, é possível comprar exemplares em versão digital ou impressa na Amazon e na Google Books. O autor acredita que a Biblioteca 24 Horas poderá contribuir para «uma grande divulgação nas escolas brasileiras e no mercado lusófono em geral».

O livro de Rui Barbosa aponta pistas que levam a crer que, nas tecnologias, está tudo no início – e que o grande salto em frente ainda estar por dar. Aos 69 anos, o doutorado em Informática pela Universidade de Grenobles, mantém a fé católica como um último reduto espiritual que nenhuma tecnologia ou ciência podem superar: «A informática está numa evolução muito rápida e vai superar, do ponto de vista material, a inteligência humana, mesmo quando se soma toda a inteligência dos homens mais inteligentes do mundo. Mas esses computadores e máquinas nunca vão conseguir ter a vertente moral ou a relação com Deus que os homens têm».

O que nos reservam próximos milhões de anos

O livro «Informática Futura» dá a conhecer várias previsões quanto ao futuro da humanidade e das tecnologias. Eis algumas das mais curiosas:

2020: Os microprocessadores serão distribuídos pelas populações quase gratuitamente. Os governos deverão enveredar por uma democracia em tempo real.

2050: Sistemas energético, administrativo e político serão automatizados, recorrendo a inteligência artificial e de robôs com capacidade de aprendizagem.

2100: Conhecimento total do cérebro humano e possibilidade de criar cérebros artificiais que funcionam de modo análogo. Prevê-se ainda a possibilidade de descarregar a totalidade do conteúdo neuronal de um cérebro para suportes eletrónicos. Esta última possibilidade permitiria criar androides com a memória de uma pessoa – e poderia ser encarada como uma tentativa de alcançar a imortalidade. O que Rui Barbosa refuta: «Não é por passar um conteúdo para um robô que me torno imortal… mas acredito que um homem pode ser imortal enquanto Deus quiser».

3200 – Civilização planetária, que esgota fontes de energia na Terra, e passa a ir buscar energia diretamente ao Sol.

4500 – “Seres vivos” artificiais, criados a partir de nanorrobôs.

100 mil anos em diante: exploração de sistemas estelares da “nossa” galáxia através de fábricas autorreplicantes.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Vídeos

Exame Informática TV n.º 450

Em destaque neste programa: voamos o Parrot Bebop e mostramos um sensor ideal para desportistas.

Repórter EI: Easyjet

Fomos ver como a companhia aérea low-cost está a usar tecnologia de impressão 3D para produzir apoios para o braço e até peças do motor em metal com uma precisão impressionante. Além disto, a empresa adota várias soluções tecnológicas para ser mais eficiente.

Dicas EI: Cuidados a ter com o disco rígido

Este continua a ser um componente presente na maioria dos computadores de hoje em dia. Veja como são constituídos e quais as melhores práticas que deve adotar em relação aos discos rígidos. 

Growing DX4 e DX6 em análise

Já testamos dois relógios inteligentes da Growing, os modelos DX4 e DX6, que têm algumas características interessantes, entre as quais, o preço.

Brammo Empulse R em análise

Já conduzimos uma mota elétrica capaz de ir dos 0 aos 100 km/h em menos de cinco segundos. 

Exame Informática 241, Julho

Desvendamos os segredos do Windows 10, apesar de não podermos desvendar os segredos do Universo, nem mesmo com uma entrevista ao líder do CERN. O drone  Parrot Bebop, o novo Macbook, ou as dicas para escolher  um PC de jogos estão entre os atrativos desta edição.

EI Tv

Exame Informática TV n.º 450

Em destaque neste programa: voamos o Parrot Bebop e mostramos um sensor ideal para desportistas.

Exame Informática TV n.º 449

Em destaque neste programa: conhecemos um robô que ajuda os mais velhos a manterem-se em forma e mostramos dois relógios inteligentes da Growing.

Exame Informática TV n.º 448

Em destaque neste programa: testamos um scanner 3D e experimentamos os instrumentos musicais do futuro.