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O sensor ‘português’ que pode reduzir a subjetividade dos enólogos

A engenheira química Joana Guerreiro está a desenvolver um sensor que permite analisar alguns parâmetros do vinho, o que, a longo prazo, pode ajudar os enólogos a reduzir a subjetividade inerente ao ser humano. E a tecnologia tem potencial para chegar igualmente ao setor da saúde.

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Joana Guerreiro começa a dar que falar nos meios científicos e tecnológicos internacionais. Esta engenheira química, de 31 anos, está a desenvolver um sensor que permite analisar alguns parâmetros dos vinhos, como a adstringência. A longo prazo, esta tecnologia tem o potencial de tornar-se portátil e depois até originar um robot, transformando-se assim numa ferramenta que pode vir a ser útil aos enólogos, pois permite diminuir a subjetividade inerente ao ser humano.

O projeto resulta do doutoramento que Joana Guerreiro está a realizar e conta com a colaboração de três instituições: Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (Victor de Freitas), BioMark Sensor Research do Instituto Superior de Engenharia do Porto (Goreti Sales) e iNANO da Universidade de Aarhus (Duncan Sutherland).

Segundo o que a investigadora revelou à Exame Informática, a investigação consiste no desenvolvimento de um sensor ótico que permite estimar a adstringência dos vinhos, característica organoléptica que é normalmente avaliada por análise sensorial. “A adstringência é caracterizada pela sensação de secura e constrição percebida na língua e em toda a mucosa bucal e que acontece geralmente quando bebemos vinho”, explica.

Assim, o objetivo foi desenvolver um sensor que permitisse simular o que acontece na cavidade oral quando se ingere vinho, tendo em conta que a definição atual de adstringência consiste numa sensação tátil que resulta da interação entre as proteínas salivares presentes na nossa boca e os polifenóis do vinho. É esta interação que faz com que as proteínas alterem a sua conformação, acabando por levar à formação de agregados. Assim, a investigação desenvolveu “um método que traduz a interação e a alteração da conformação de proteínas (fase inicial do processo), obtendo um método mais sensível e que represente de forma mais real o seu efeito”, refere Joana Guerreiro.

A investigadora admite que pode vir a ser possível comercializar este sensor no futuro, mas não o vê como um substituto dos enólogos, preferindo frisar que deve ser encarada “como uma ferramenta que possa ser útil” a estes profissionais, uma vez que a combinação de ambos poderia ser vantajosa, já que “diminuiria a subjetividade inerente ao ser humano”. Mas saliente-se que esta tecnologia tem um potencial que extravasa a área dos vinhos, pois este tipo de sensor, além de quantificar, também permite avaliar o efeito nas proteínas, o que pode vir a ser útil nas áreas da saúde.