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Ciência

Tratar traumas com nove volts de corrente

Investigadores da Universidade da Califórnia obtiveram resultados promissores no tratamento do stress pós-traumático com um penso que estimula o nervo trigémio. Em breve, a nova técnica será testada com veteranos de guerra

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Hugo Séneca

Reed Hutchinson

Os episódios passam; os traumas podem ficar para toda a vida. Os episódios pode ser imprevisíveis, mas os traumas poderão ser tratados pela estimulação elétrica do cérebro. Pelo menos é essa a convicção dos investigadores da Universidade da Califórnia que publicaram um artigo científico no Neuromodulation: Technology at the Neural Interface, que dá conta dos resultados promissores de uma técnica conhecida por estimulação do nervo trigémio.

O trigémio é o maior nervo proveniente do cérebro. Controla os músculos do rosto e os olhos e é também conhecido por assegurar conexões com várias zonas do cerebrais que, aparentemente, terão funções diferentes. E foi por isso que os investigadores norte-americanos decidiram testar a estimulação elétrica deste nervo como alternativa a outras técnicas de interação as células e neurónios, como a estimulação magnética transcraniana e a estimulação transcraniana por corrente direta.

A estimulação foi levada a cabo por um penso que está conectado a uma bateria de nove volts.

Os ensaios duraram oito semanas e envolveram 12 pacientes de stress pós-traumático que não têm tido melhorias com a toma de medicamentos. De acordo com a Popular Science, os pacientes usaram os pensos não-invasivos na testa enquanto dormiam.

Os resultados terão sido entusiasmantes: em média, os doentes revelaram melhorias estimadas em 30% no que toca à ocorrência de sintomas associados ao stress pós-traumático. Um quarto dos pacientes terá mesmo confirmado o desaparecimento dos sintomas.

Os investigadores da Universidade da Califórnia já definiram um novo desafio: em breve, a nova técnica de estimulação do nervo trigémio deverá começar a ser testada junto de veteranos de guerra, que costumam revelar sintomas de stress pós-traumático bastante mais acentuados que o resto da população.

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