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Ciência

Observatório de Arecibo capta sinais de rádio repetitivos e misteriosos

Até 2012, apenas tinham sido captadas 20 FRB. Uma equipa de cientistas descobriu recentemente 10 FRB repetidas – e ainda não encontrou uma razão que ajude a explicar o fenómeno.

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Hugo Séneca

Não, ainda não é a prova cabal de que há extraterrestres a quererem comunicar connosco. Mas a equipa de investigadores do Observatório de Arecibo ainda não encontrou forma de explicar uma explosão de rádio rápida, que começou por ser captada em 2012 e voltou a registar 10 repetições nos tempos mais recentes.

FRB é a sigla em inglês de Fast Radio Burst. E é devido a essa sigla que os membros da equipa de astrónomos do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, passaram a designar o curioso fenómeno por FRB 121102. Antes da descoberta do FRB 121102, apenas tinham sido detetados 20 destas explosões que duram apenas milésimos de segundo. Estes fenómenos nunca tiveram uma explicação científica que permita dissipar todas as dúvidas, mas o FRB 121102 pode revelar-se determinante para os cientistas confirmarem uma possível origem para estes fenómenos.

«Além das repetições, estas explosões apresentaram um brilho e um espetro bastante diferentes daqueles que foram registados noutros FRB», recordou Laura Spitler, investigadora que participa no estudo da FRB 121102, numa declaração reproduzida pelo Washington Post.

Os especialistas admitem que as FRB ocorram várias vezes ao dia – e, pela primeira, vez os investigadores conseguiram captar mais 10 explosões quando apontavam o radiotelescópio para uma determinada área do Espaço. A sucessão de repetições levou a equipa de investigadores de vários países a publicar um artigo na revista Nature que admite que a FRB 121102 tenha sido gerada por uma estrela de neutrões extragalática altamente magnetizada. Caso se confirme esta teoria, poderá cair por terra a ideia de que a FRB são geradas por colisões de estrelas distantes.

Detetada esta FRB de inusitadas repetições, o próximo capítulo desta investigação passará a centrar-se na deteção da origem deste sinal: «Quando localizarmos com precisão a posição destas repetições no céu, poderemos comparar as observações captadas por telescópios óticos e de raio-X e ver se há alguma galáxia naquele lugar», refere Jason Hessels, membro da equipa de investigadores do Observatório de Arecibo, lembrando que a descoberta da galáxia hospedeira é essencial para perceber o motivo que levou à FRB 121102 e respetivas repetições.