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Ciência

Investigadores confirmam que é possível produzir tomates e rabanetes comestíveis em Marte

Na Holanda, investigadores confirmaram que é possível cultivar quatro vegetais comestíveis para os humanos num solo que contém os mesmos metais pesados do solo marciano

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Hugo Séneca

Entre a Universidade de Wageningen e Marte há uma distância que varia entre 51 milhões e 401 milhões de quilómetros. E não há registo de que um humano alguma vez tenha estado no planeta vizinho. O que não impediu alguns investigadores da universidade holandesa que levarem a cabo uma experiência que lhes permitiu apurar que é possível cultivar centeio, tomates, rabanetes e ervilhas comestíveis com um solo com a mesma composição do de Marte.

A investigação levada a cabo no âmbito do projeto de colonização espacial Mars One arrancou em 2013 em estufas e num substrato composto de metais pesados como o cádmio, o cobre e o chumbo. Os investigadores tinham um propósito definido à partida: descobrir se as partes comestíveis de várias plantas se tornariam venenosas, por crescerem num solo com substâncias similares às que se encontram em Marte.

Depois de terem confirmado que é possível fazer crescer diferentes plantas num solo composto com metais pesados, os laboratórios da Universidade de Wageningen confirmaram que os vegetais aí cultivados são comestíveis – e não deverão representar qualquer risco para a saúde dos humanos.

De acordo com um comunicado da Mars One, as análises revelaram que o centeio, os tomates, as ervilhas, e os rabanetes cultivados no substrato que simulava o solo marciano não continham níveis perigosos no que toca a cobre, ferro, manganésio, zinco, arsénico, cádmio, crómio, níquel ou chumbo. Nalguns casos, os níveis de metais pesados chegaram mesmo a ser inferiores àqueles que costumam ser registados nas plantas que crescem no solo terrestre.

Além dos metais pesados, os investigadores holandeses vão prestar especial atenção aos níveis de vitaminas, alcaloides e flavonóides. As análises vão ter por referência os limites máximos definidos pela Administração de Alimentação e Medicamentos dos EUA, e Agência da Alimentação da Holanda. Wieger Wamelink, um dos responsáveis pela investigação, deu largas ao entusiasmo: «podemos comer os rabanetes, as ervilhas, o centeio e os tomates e estou muito curioso em conhecer o sabor que têm».

As experiências envolveram apenas quatro de 10 espécies vegetais que os humanos costumam consumir. Atualmente está a decorrer uma campanha de captação de angariação de fundos para levar a cabo testes com as restantes seis plantas (entre elas figura, como não poderia deixar de ser, a batata).

Já foram angariados 11 mil dos 25 mil dólares necessários para prosseguir com a investigação. A campanha segue até ao final de agosto. Os responsáveis pela investigação prometem fazer um jantar com os alimentos – o que poderá entrar para a história como a primeira refeição com vegetais quase… cultivados em Marte.

O cultivo é uma componente importante no Mars One: o projeto liderado pelo milionário Bas Lansdorp tem por objetivo instalar uma colónia com cerca de 40 humanos em Marte. As primeiras viagens tripuladas estão agendadas para 2026. Até lá, deverá decorrer um reality show que deverá garantir o financiamento do projeto.

Nesta página, pode ver algumas imagens disponibilizadas pela Mars One sobre a experiência levada a cabo com o cultivo de plantas com metais pesados.

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