exameinformatica

Uma parceria EXPRESSO

Siga-nos nas redes

Perfil

Ciência

Juno: o que é que Júpiter tem?

Hugo Séneca

  • 333

A sonda Juno já iniciou a primeira das 37 órbitas que vão permitir revelar alguns dos segredos do maior planeta da constelação solar. As primeiras imagens só chegam em agosto.

Hugo Séneca

«Há alguma coisa mais americana que uma missão da NASA a dirigir-se sem medo até onde nunca ninguém foi antes?». Charlie Bolden, administrador da NASA, não desperdiçou a coincidência com o feriado da independência dos EUA quando chegou a hora de anunciar ao mundo que a sonda Juno tinha logrado entrar na órbita de Júpiter. Desta vez, a missão «até onde nunca ninguém foi antes» teve o momento alto às 4:18 da madrugada de terça-feira de Lisboa – mas ainda no horário nobre da TV de ontem, no fuso horário da Costa Leste americana.

A manobra, considerada de elevada complexidade por ter de enfrentar a forte radiação e uma faixa de rochas que pairam no Espaço, não durou mais de 35 minutos. Durante esse período, a sonda teve de proceder a um abrandamento e a uma guinada final. Não demorou muito até que o Laboratório de Propulsão a Jato de Pasadena, Califórnia, confirmasse que a entrada em órbita foi bem sucedida.

Para chegar a Júpiter, a Juno teve de fazer uma viagem de 2,8 mil milhões de quilómetros de distância, que demorou mais de cinco anos. Além de fixar uma nova fronteira na exploração espacial, a Juno fixa mais um recorde tecnológico: é, neste momento, o veículo movido a energia solar mais distante da Terra. Mas não se julgue que a sonda da NASA é um portento energético: os painéis solares deste veículo espacial não conseguem ir além dos 500 W. Esta potência é aplicada no funcionamento de 29 sensores e nove instrumentos científicos, explica o The Guardian.

São estes instrumentos que poderão ser usados para responder a algumas das principais questões da comunidade científica que permanece em Terra: quanta água existe em Marte? E qual a composição do núcleo deste planeta gasoso (composto por hélio e hidrogénio) que é 11 vezes maior que a Terra?

O comunicado da NASA ajuda a perceber o alcance desta missão: «Juno vai investigar a existência de um núcleo sólido planetário, mapear o campo magnético intenso de Júpiter, medir a quantidade de água e amónia na atmosfera profunda, e observar as auroras do planeta. Esta missão também nos permitirá dar um passo de gigante no nosso conhecimento sobre a formação destes planetas gigantes e o papel que estes titãs desempenharam no alinhamento o resto do sistema solar».

Todo este conhecimento terá de ser obtido numa lógica de contrarrelógio: a Juno vai “apenas” executar 37 órbitas. Cada órbita deverá durar 14 dias; durante esse período, a distância entre a sonda e Júpiter deverá variar entre três milhões de quilómetros e “apenas” 4000 quilómetros. Apesar da grande distância que a órbita permite alcançar e das proteções em titânio que foram aplicadas, os instrumentos a bordo não deverão resistir à radiação – pelo que se prevê que deixem de operar ainda antes do final da missão.

A telemetria e as comunicações de rádio deverão assegurar um papel determinante nesta missão – mas não vale a pena começar na Net imagens de Júpiter que tenham sido captadas pela Juno. Só em agosto, as primeiras imagens terão percorrido o caminho inverso dos 2,8 mil milhões de quilómetros exigidos para a Juno chegar às imediações de Júpiter.

Nesta página pode ver uma animação que ajuda a perceber o percurso da Juno e ainda um vídeo produzido pela NASA que permite perceber as órbitas executadas pelas diferentes luas de Júpiter.

  • 333