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Cientistas negam envelhecimento precoce em animais clonados

Um estudo da Universidade de Nottingham desmente os riscos de envelhecimento precoce em animais clonados. Há, pelo menos, quatro ovelhas da mesma linha celular da famosa Dolly que aparentemente vivem saudáveis, apesar da idade avançada

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Dolly teve uma vida breve como muitas outras estrelas famosas – mas era apenas ovelha, que tinha uma vida regrada como todas as outras ovelhas. O que não a livrou da eutanásia, aplicada pelos veterinários que a preferiram poupar ao envelhecimento precoce, diagnosticado com a deteção de uma osteoartrite e, mais tarde, de vários tumores nos pulmões. Dolly tinha seis anos de vida quando sucumbiu – o suficiente para criar um mito: os animais clonados sofrem de envelhecimento precoce.

Passados 13 anos, o mito pode ter caído por terra: Dolly, a popstar criada no Instituto Roslin, na Escócia, poderá ter sido apenas um caso de... azar. Daisy, Diana, Debbie and Denise – todas elas ovelhas, e sim, todas elas com a letra D como inicial no nome, por aparente homenagem ao primeiro mamífero clonado – acabam de pôr em causa a ideia de que os animais clonados sofrem de envelhecimento precoce.

As vidas das quatro ovelhas que foram geradas com a mesma linha celular da Dolly deram origem a um estudo, publicado na Nature Communications. Citado pelo The New York Times, Kevin Sinclair, biólogo da Universidade de Nottingham que assina o estudo, dá voz ao otimismo: «Elas (as quatro ovelhas clonadas) já são senhoras velhotas. Mas estão bastante saudáveis para as suas idades».

Além destas quatro ovelhas que foram alvo de estudo, há mais nove exemplares que também foram geradas a partir da inclusão de uma célula extraída de uma outra ovelha adulta num óvulo que havia ficado desprovido do ADN. As 13 ovelhas têm entre sete e nove anos de idade – o que poderá corresponder a cerca de 60 anos para os humanos, recorda o The New York Times.

O estudo indica ainda que a tolerância à glucose, a resistência à insulina, a pressão sanguínea, e a reatividade músculoesquelética estão em consonância com o que é esperado para as ovelhas daquela idade. Também foram feitos testes relacionados com doenças cardíacas e diabetes e também não terão sido indícios de envelhecimento antes do tempo. Uma das ovelhas terá aparentado artrite acima do esperado – mas os investigadores da Universidade de Nottingham desvalorizam esse dado.

Não é a primeira vez que há estudos que desmentem o propalado envelhecimento precoce dos animais clonados. Ensaios efetuados com ratos e vacas apontam também para a inexistência de um envelhecimento acelerado. O que não invalida que os clones não tenham riscos que nem sempre costumam estar presentes nos seres que não são clonados: são vários os relatos de embriões que não vingam ou de seres que morrem pouco depois de nascerem. Os cientistas da Universidade de Nottingham conhecem esses casos, mas reiteram que não há risco de envelhecimento precoce nos seres clonados… desde que consigam sobreviver aos primeiros tempos de vida.

Muito do mediatismo de Dolly deve-se não tanto à ciência, mas antes à ética. A vida da ovelha clonada há 20 anos despertou a atenção de uma potencial indústria. E depois da morte da ovelha clonada, vários países aplicaram restrições legais. Na UE, foi proibida a clonagem e a importação de animais clonados para fins alimentares. Na ONU, desde 2005 que vigora a proibição da clonagem de humanos, independentemente dos fins.

Resta saber por quanto tempo estas restrições vão manter-se. Nos corredores que dão acesso a alguns dos melhores laboratórios mundiais, que lograram criar clones aparentemente saudáveis, há quem garanta que, dentro de 10 anos, o panorama possa ser diferente.

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