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Ciência

Memória humana torna-se mais eficaz em cenários de sobrevivência

Os testes que permitiram chegar a esta conclusão confrontaram os voluntários com cenários de vida e morte. A investigação é liderada por Josefa Pandeirada, do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro.

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Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Imagine este cenário extremo: perdeu-se num local inóspito e não tem materiais básicos de sobrevivência à disposição. Sabe de que forma a memória lhe pode ajudar a sobreviver? Ao memorizar locais onde há alimento, abrigo e proteção face a predadores. E, de acordo, com uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA), a memória não o deixará ficar mal. É que, em comparação com ambientes quotidianos, a memória revela-se particularmente eficaz em cenários onde a sobrevivência é testada a todo o instante.

Josefa Pandeirada, investigadora do Departamento de Educação e Psicologia da UA, tem vindo a abordar a temática de “como e para quê evoluiu a memória humana?” desde 2007 e, em conjunto com James Nairne, coordenador e responsável pelo Adaptive Memory Lab da Universidade de Purdue, publicou um artigo sobre o tema na revista Perspectives on Psychological Science.

Josefa Pandeirada, investigadora do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro

Josefa Pandeirada, investigadora do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro

Os testes levados a cabo pelos investigadores confrontaram os voluntários com cenários de vida ou morte. «Convidados a imaginarem-se em cenários onde a sobrevivência se joga a todo o instante – como em ilhas desertas, montanhas ou florestas – e sem forma de contactar com o exterior ou sem materiais básicos de sobrevivência, foi pedido aos participantes que avaliassem a relevância que vários objetos teriam para assegurar as suas sobrevivências», explica a UA em comunicado de imprensa. No final, os participantes eram surpreendidos com um teste de memória no qual tinham que recordar o máximo de objetos que conseguissem.

Assim, concluiu-se que, comparativamente com outros cenários de controlo utilizados – cenários em que os participantes se imaginam a planear o próprio suicídio ou um assalto a um banco, por exemplo –, as pessoas recordam mais objetos quando pensam neles no contexto de sobrevivência.

«O estudo da memória humana tem sido pautado por uma análise muito estruturalista focada na identificação dos diferentes componentes da memória e na exploração do modo como estes operam», refere Josefa Pandeirada. Contudo, «ela descura questões mais fundamentais relacionadas com as funções que a memória desempenha», salienta. Portanto, a premissa da investigação agora divulgada é que a memória terá evoluído para ajudar o Homem a responder a problemas adaptativos encontrados ao longo da evolução. Os investigadores estão neste momento a estudar dois outros problemas adaptativos, nos quais pensam que a memória pode desempenhar um papel importante: a contaminação e a reprodução.

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