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Como a matemática pode prever acidentes com peões e ciclistas

As investigadoras Nélia Silva, Eloísa Macedo, Margarida Coelho e Mariana Vilaça

Uma equipa de investigação do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro desenvolveu um modelo matemático e uma análise espacial e temporal que permite encontrar padrões de risco

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Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um modelo matemático que calcula a probabilidade dos acidentes envolverem peões ou ciclistas. De acordo com comunicado de imprensa da UA, o trabalho foi desenvolvido a pensar em Lisboa, Porto e Aveiro, cidades onde os cientistas do grupo de investigação em tecnologia dos transportes do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) analisaram ao detalhe os mais de 4400 acidentes que envolveram peões e ciclistas entre 2012 e 2015.

Assim, dos 4439 acidentes com peões e ciclistas analisados pelos investigadores, 7% ocorreram em Aveiro, 29% no Porto e 64% em Lisboa. Se, em Aveiro, cerca de 50% dos acidentes com utentes vulneráveis envolveu ciclistas e a restante percentagem peões, esta realidade é diferente para o Porto e Lisboa. A norte cerca de 9% dos acidentes com utentes vulneráveis envolveram ciclistas, enquanto a sul foram cerca de 10% a envolver os adeptos das duas rodas.

Os dados foram fornecidos pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) e os investigadores do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA) do DEM esperam que o modelo matemático possa ser «uma ferramenta útil para entidades e autoridades locais e regionais, no sentido em que permite planear o reforço de medidas de segurança rodoviárias consoante as especificidades de cada cidade».

«A maior parte dos acidentes ocorreram em espaços de grande atratividade de pessoas, como estações ferroviárias, zonas comerciais e espaços turísticos localizados nos centros históricos das três cidades», destaca Margarida Coelho, professora e coordenadora do grupo de investigação em tecnologia dos transportes do TEMA. «Em consequência destes acidentes, 90 a 97% dos feridos foram ligeiros, 2 a 8% feridos graves e 1 a 2% resultaram em vítimas mortais”, acrescenta a cientista, que contou com a colaboração de Mariana Vilaça, Eloísa Macedo e Pavlos Tafidis, investigadores do DEM/TEMA. A investigação contou igualmente com a colaboração de Nélia Silva, docente do Departamento de Matemática da UA, em particular na avaliação metodológica e na análise dos acidentes de Aveiro.

Saliente-se que a equipa desenvolveu o referido modelo matemático, através de uma regressão logística multinomial que tem em conta o histórico de acidentes e cujo resultado final indica a probabilidade de ocorrer um acidente envolvendo peões ou ciclistas para cada uma das três cidades, e também toda uma análise espacial e temporal que permite encontrar padrões de risco. Nos cálculos entram variáveis tão diversas como o género do peão ou do ciclista, a faixa etária, o nível de gravidade dos ferimentos, o dia da semana, o período do dia e as condições meteorológicas.