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Ryugu: faltam 20 quilómetros para sonda japonesa aterrar em asteroide

Desenho da Sona Hayabusa2 nas imediações do asteroide Ryugu

JAXA

Até 2020, a sonda Hayabusa2 deverá aterrar por várias vezes na superfície do asteroide Ryugu para recolher amostras e responder a uma questão: que relação há entre os asteroides e a existência de vida na Terra?

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Ryugu não é propriamente um destino de férias: tem cerca de um quilómetro de comprimento, fica a 280 milhões de quilómetros de distância da Terra, não tem a gravidade da Terra, e possivelmente não tem condições para albergar seres humanos. Mas é seguramente o principal destino assinalado nos mapas galácticos com que a Agência Espacial Japonesa (JAXA) vai trabalhar nos próximos meses. Na madrugada de quarta-feira, os responsáveis deram por concluído com sucesso mais um capítulo na viagem espacial ao agora famoso asteroide: a sonda Hayabusa2 já se encontra posicionada na mesma órbita de Ryugu, deslocando-se agora a 30 metros por segundos e a uma distância de 20 quilómetros deste corpo celeste que é descrito como tendo forma de um diamante que está sempre a rodar como um pião.

Em comunicado, a JAXA confirmou que a Hayabusa2 entrou na órbita do Ryugu às 1h35 de Lisboa (9h35 no Japão) de quarta-feira. «A partir deste momento, pretendemos conduzir atividades exploratórias nas imediações do asteroide, incluindo observações científicas do asteroide Ryugu, e à análise do asteroide para efeito de recolha de amostras», anunciou a JAXA depois de confirmar que a Hayabusa2 entrou na órbita do Ryugu sem incidentes.

Esquema disponibilizado pela JAXA que ilustra a viagem espacial da Sonda Hayabusa2 até chegar às imediações do asteroide Ryugu

Esquema disponibilizado pela JAXA que ilustra a viagem espacial da Sonda Hayabusa2 até chegar às imediações do asteroide Ryugu

Durante os próximos três meses, a Hayabusa2 vai recolher imagens e dados diversos que poderão ajudar a “construir” uma imagem tridimensional do asteroide. Para o efeito, serão usadas câmaras óticas, radares, infra-vermelhos e sensores térmicos que seguem a bordo da sonda japonesa, explica a ABC News. Durante este período de reconhecimento, os especialistas da JAXA tentarão identificar os locais mais adequados para o momento alto desta missão – a aterragem no asteroide para recolha de amostras.

De acordo com os planos já revelados pela JAXA, a sonda que é comparada a um frigorífico alado com painéis solares em forma de asas, deverá tocar pela primeira vez na superfície do Ryugu em setembro, depois de várias fases de aproximação gradual ao asteroide.

A Hayabusa2 deverá manter-se em missão nas imediações do Ryugu até 2020. Durante o período de missão haverá mais do que uma aterragem. As aterragens deverão durar poucos segundos, mas serão suficientes para recolher diferentes tipos de amostras. Prevê-se que a Hayabusa2 recolha aglomerados do solo que se encontram à superfície do Ryugu, mas também deverão ser deflagradas explosões capazes de produzir crateras de dois metros, que vão permitir recolher amostras “frescas” – que não estão expostas diretamente aos elementos em ambiente espacial.

Em paralelo com a recolha de amostras, prevê-se ainda a entrada em ação de dois rovers: um com o nome de Minerva, que deverá limitar-se a recolher imagens e dados térmicos; e um segundo conhecido pela sigla MASCOT, que se distingue por permitir a observação microscópica de diferentes matérias.

Toda esta informação poderá ser usada para dissipar várias dúvidas, mas há uma questão que, para já, parece suplantar todas as outras: «Trazer amostras para a Terra dá-nos uma ideia de como estes asteroides evoluíram, como é que transportam matérias para a Terra, e como é que este tipo de interação pode ter afetado a Terra nos últimos 4,5 mil milhões de anos», explicou à ABC News Trevor Ireland, professor da Universidade Nacional Australiana, que tem vindo a participar na missão da JAXA.

Imagem do asteroide Ryugu captada pela agência JAXA

Imagem do asteroide Ryugu captada pela agência JAXA

O Ryugu é um asteroide da família Tipo-C, que está classificada como a mais numerosa no universo, mas curiosamente é uma das mais raras que se conhecem nas imediações Terra. Os peritos admitem que se trata de um asteroide rochoso, mas também acreditam que possa conter água e matéria orgânica. O que dá a esta missão contornos suficientemente atrativos para um futuro guião de filme. «São estas as potenciais sementes da vida para o sistema solar e para a Terra. E por isso podem ser muito importantes em termos daquilo que trouxeram para a Terra no passado», conclui Trevor Ireland.

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