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Em 44 anos, os humanos acabaram com 60% dos animais na Terra

Chris Tobin

«Isto está a ameaçar o futuro da população. A Natureza não pode ser uma “coisa fixe de ter” – tem de ser o suporte das nossas vidas», denunciou Mike Barrett, diretor executivo para a Ciência e Conservação da WWF

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Mais de 60% da vida selvagem desapareceu entre 1970 e 2014. A conclusão surge no mais recente relatório do Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF, na sigla em inglês), que relaciona o extermínio de populações ou espécies inteiras com o crescimento da humanidade e as crescentes necessidades no que toca à alimentação, água potável e outros recursos hoje usados no mundo civilizado. E não serão só as espécies selvagens a sofrerem as consequências do extermínio gradual registado nos últimos 44 anos: também a humanidade poderá estar em risco, alerta a WWF

«Isto está a ameaçar o futuro da população. A Natureza não pode ser uma “coisa fixe de ter” – tem de ser o suporte das nossas vidas», denunciou Mike Barrett, diretor executivo para a Ciência e Conservação da WWF, citado pelo Guardian.

O estudo contou com os contributos de 59 especialistas de diferentes países e os dados relativos à evolução das populações de mais de 4000 espécies. Entre as conclusões do relatório, destacam-se os efeitos produzidos pela agricultura e a produção e alimentos como uma das principais causas da matança que se tem registado no mundo animal.

Nem sempre os animais são mortos para produzir alimento – mas muitos deles ficam sem habitat devido à expansão dos campos agrícolas. Hoje, três quartos das terras existentes no planeta foram de alguma forma condicionados ou transformados pela ação dos humanos. A este dado junta-se a criação de animais para consumo, caça e pesca. Atualmente, há 300 espécies de mamíferos que estão em risco de extinção devido à caça para alimentação.

Do mar, chegam várias notícias que dão conta da escassez de peixe causada pelo excesso de pesca. Metade da população de baleias podem vir a morrer devido à poluição. Na América do Sul e na América Central as populações de vertebrados registaram uma perda de 89%. As estimativas ilustram a devastação com a seguinte comparação: a cada par de meses, é eliminada nas américas a vegetação tropical de uma área comparável à região metropolitana de Londres.

Mike Barrett faz uma analogia que ajuda a perceber o impacto da perda de 60% da população de animais selvagens nos vários continentes: «Se houvesse um declínio de 60% na população humana, teríamos um esvaziamento da América do Norte, da América do Sul, de África, da Europa, da China e da Oceânia. É esta a escala daquilo que nós (humanos) temos feito».

Entre os especialistas consultados no âmbito deste estudo, há quem admita que a humanidade já entrou num contrarrelógio pela vida – mesmo que essa corrida não seja evidente para todos os humanos. «Estamos a ficar rapidamente sem tempo (para travar as diferentes ameaças). Só se conseguirmos encontrar soluções tanto para os ecossistemas como para o clima pode ter uma chance de manter um planeta estável para o futuro da humanidade na Terra», defende Johan Rockström, especialista no Instituto de Investigação para o Impacto no Clima de Potsdam, da Alemanha, citado pelo Guardian.

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