exameinformatica

Uma parceria VISÃO

Siga-nos nas redes

Perfil

Ciência

Curiosity descobre potenciais sinais de vida em Marte

Stocktrek Images

Dados enviados de Marte revelam um pico de metano três vezes maior que aqueles que haviam sido detetados no passado recente. O facto de o metano ser rapidamente desintegrado pelo sol e pelas reações químicas de Marte pode ajudar a tirar as dúvidas quanto à existência de vida

  • 333

Podem ser só micróbios – mas poderão ser também os primeiros exemplares de vida em Marte alguma vez detetados pela humanidade. E é essa a grande esperança que acaba de ser revelada pelos cientistas da Agência Espacial dos EUA (NASA) a partir de dados indiciadores da presença de metano que foram recolhidos pela sonda Curiosity na Cratera de Gale, no planeta vizinho.

Segundo a New York Times, o primeiro alerta terá chegado à Terra quinta-feira passada, aquando da chegada das medições que o rover Curiosity vai obtendo durante as diferentes missões de exploração. A NASA descreve os dados como preliminares e remete para mais tarde um conclusão definitiva, mas os indícios provenientes de Marte revelam a presença de quantidades assinaláveis de metano – um gás que é produzido pela atividade animal (exemplo: o metano produzido pelo aparelho digestivo de humanos e bovinos é hoje considerado dos principais emissores de poluentes da atualidade).

O metano não tem como origem exclusiva a atividade animal ou microbiana – e esse fator poderia, por si só, travar a expectativa dos investigadores da NASA. Só que, desta vez, a quantidade detetada pela Curiosity é superior à que já havia sido detetada por outras missões espaciais em Marte e observações de telescópios.

Os primeiros indícios de metano recolhidos da Curiosity remontam a 2012 – mas não ultrapassavam uma parte em mil milhões de partes possíveis. Passado um ano, o rover detetou novamente metano a pairar na atmosfera marciana, mas numa quantidade superior: sete partes em mil milhões possíveis, cuja duração se manteve durante, pelo menos, dois meses.

O dados recolhidos pela Curiosity na semana passada levam a acreditar numa deteção de metano bastante superior: 21 partes em mil milhões possíveis. Os dados recolhidos pela Curiosity e pelos orbitadores Mars Express e Trace Gas Orbiter levam a crer que a produção de metano varia consoante as estações do ano de Marte – mas essa tendência não é suficiente para afastar a tese de que o metano seria produzido possa ter origem em seres vivos.

O “Planeta Vermelho” também é conhecido por ter uma atmosfera muito pouco espessa, que levaria as moléculas de metano a desintegrarem-se, com relativa rapidez perante a luz solar e aos elementos químicos existentes no local. E é por saberem que o metano existente na atmosfera se desintegra mas rapidamente que na Terra que os investigadores da NASA passaram a ter uma ferramenta útil para apurar se o metano detetado pela Curiosity é “antigo” ou foi emitido há pouco tempo – possivelmente por micróbios ou outros seres vivos desconhecidos.

Além de micróbios que habitam em zonas onde o oxigénio escasseia, sabe-se que o metano também pode ser produzido por fenómenos geotérmicos.

Perante a recolha de indícios de metano, os investigadores da NASA decidiram alterar os planos da missão exploração da Curiosity que estavam definidos para passado fim de semana. O novo plano de missão passou a ter como objetivo a fonte do gás metano. Tudo leva a crer que as novas medições efetuadas em Marte cheguem à Terra esta segunda-feira.

  • 333