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Neuralink quer colocar primeiros implantes cerebrais em humanos no próximo ano

Chris Saucedo - Getty Images

A empresa fundada por Elon Musk revelou que está pronta para iniciar os primeiros testes com humanos. O método foi testado apenas com ratos de laboratório, mas, caso seja aprovado pela Food and Drug Administration, poderá estar disponível já no próximo ano

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Francisco JM Garcia

A Neuralink, a empresa fundada por Elon Musk que pretende criar um género de sistema de download e upload de pensamentos entre o cérebro humano e um computador, revelou esta terça-feira que quer começar a aplicar a tecnologia em doentes com paralisia. O método vai consistir numa cirurgia com o objetivo de realizar quatro buracos de oito milímetros no crânio dos pacientes, a fim de inserir implantes que lhes confira a capacidade de controlar computadores e smartphones através dos pensamentos.

Para já o método ainda só foi testado com animais, nomeadamente, ratos de laboratório e segundo a Bloomberg, a empresa vai procurar negociar com o gabinete americano da Food and Drug Administration (um órgão do governo americano que tem o objetivo de fazer o controlo de qualidade dos fármacos e alimentos) para dar início aos primeiros testes clínicos em humanos já no próximo ano.

«Muitas pessoas duvidam que este método seja possível», disse Max Hodak, presidente da Neuralink, à mesma publicação, reforçando que «grandes feitos estão para acontecer nos próximos dez anos e as pessoas deviam levar isto a sério.»

Ao todo, a empresa amealhou já cerca de 150 milhões de dólares (133,79 milhões de euros) de investidores, dos quais 100 milhões vieram da parte de Elon Musk, e acredita que vai haver uma grande adesão por parte do público a esta tecnologia.

«Vai soar estranho, mas, em último caso, vamos conseguir criar uma simbiose com a Inteligência Artificial (…), não será algo obrigatório, mas será uma escolha. É algo que eu considero ser importante num espectro de evolução civilizacional», referiu Elon Musk em conferência de imprensa.

De acordo com a Bloomberg, o próximo passo da empresa será descobrir uma forma segura de implantar estes dispositivos no cérebro humano, em regiões de grande potência de neurosinais. O desafio será fazer com que o cérebro não rejeite a entrada de corpos estranhos, pois tendencialmente o órgão rejeita-os.

A publicação explica que existem alguns casos em que pacientes com Parkinson conseguiram melhorar alguns dos sintomas da doença através da aplicação de implantes que estimulam regiões do cérebro.

Na grande maioria dos casos, este processo pode trazer implicações sérias a longo prazo para os doentes e, pela mesma razão, a Neuralink tem o objetivo de desenvolver corretamente uma técnica que permita colocar o implante de leitura de estímulos cerebrais sem que cause danos ao paciente.

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