exameinformatica

Uma parceria VISÃO

Siga-nos nas redes

Perfil

Ciência

Investigadores de Coimbra criam aplicação que revela sexo de esqueletos

Os criadores da CADOES centraram-se na zona pélvica por, além de ser uma parte dos esqueletos que tende a degradar-se mais rapidamente com a passagem do tempo, também ostenta maior dimorfismo sexual, que facilita a identificação do género, e permite estimar a altura e a idade dos indivíduos à data da morte

  • 333

Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolveram um programa informático para apurar o que a passagem do tempo nem sempre permite: a determinação do sexo de esqueletos humanos. A aplicação é conhecida por Classificação Automatizada de Dados Osteométricos para Estimar o Sexo (CADOES) e tem por base um estudo realizado em 1938 pelo cientista José Antunes Serra, com o objetivo de fazer «uma descrição antropológica clássica do complexo pélvico de uma amostra de restos esqueléticos portugueses do final do século 19 ao início do século 20», explica um comunicado da Universidade de Coimbra.

O desenvolvimento da nova ferramenta mereceu a publicação de um artigo científico na revista Forensic Science International. A Universidade de Coimbra informa ainda a nova ferramenta pode ser usada livre e gratuitamente a partir do site Osteomics.com.

«Desenvolvemos diferentes algoritmos de classificação que geram modelos osteométricos de elevada precisão, sendo possível analisar 38 variáveis do complexo ósseo pélvico (altura da bacia, ângulo púbico, ângulo sacro-pélvico, conjugata obstétrica, etc.), ou seja, com os dados em bruto fornecidos no trabalho descritivo de 1938, criámos novas abordagens para a estimativa de sexo com base em características morfométricas do complexo ósseo pélvico», refere no comunicado da Universidade de Coimbra Francisco Curate, do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que desenvolveu a ferramenta CADOES em colaboração com João Coelho, investigador da Universidade de Oxford.

O estudo levado a cabo por José Antunes Serra, em 1938, teve por base a análise dos esqueletos de 131 mulheres e 125 homens, que fazem parte da Coleção de Esqueletos Identificados da Universidade de Coimbra. Os criadores da CADOES centraram-se na zona pélvica por, além de ser uma parte dos esqueletos que tende a degradar-se mais rapidamente com a passagem do tempo, também ostenta maior dimorfismo sexual, que facilita a identificação do género, e permite estimar a altura e a idade dos indivíduos à data da morte.

Francisco Curate está convicto de que a CADOES pode revelar potencial tanto ao nível da investigação como da pedagogia em salas de aula da universidade ou do ensino secundário: «É uma ferramenta credível, que simplifica processos e minimiza o grau de erro. Disponibiliza ainda ilustrações que indicam a forma mais adequada de efetuar as medidas dos ossos e caminhos para explorar os dados fornecidos».

  • 333