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Investigadores portugueses ajudam a criar técnica para obter dados de exoplanetas

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Investigadores do Instituto de Astrofísica ajudaram a desenvolver uma técnica que projeta estrelas artificiais na alta atmosfera para aumentar a precisão de dados relacionados com exoplanetas

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Dois investigadores portugueses acabam de ajudar a desenvolver uma nova técnica que promete detetar com maior grau de exatidão exoplanetas que orbitam em torno de uma estrela. A técnica já começou a ser aplicada no Observatório Europeu do Sul (ESO), que está situado no Chile e abriu caminho à publicação de um artigo científico na Physical Review Letters. Pedro Figueira, do ESO e do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), e Alexandre Cabral, do IA3 e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), foram os portugueses que participaram no desenvolvimento da nova técnica, que foi liderado por Frédéric Vogt, do ESO.

A nova técnica de medição e deteção de exoplanetas foi desenvolvida a pensar no espectógrafo Espresso que tem vindo a operar em articulação com o Very Large Telescope (VLT), que se encontra instalado no ESO. Com o Espresso torna-se possível medir os efeitos que a passagem de um exoplaneta gera no movimento da estrela em que orbita – só que nem sempre se consegue alcançar uma precisão para os desvios no movimento das estrelas que são inferiores a 10 metros.

Para alcançar esse grau de exatidão, os investigadores do ESO recorreram a um sistema de ótica adaptativa que já costuma ser usado para monitorizar os efeitos da denominada «turbulência atmosférica». A técnica de ótica adaptativa pressupõe a emissão de um feixe laser para produzir figuras na alta atmosfera terrestre, com o objetivo de gerar estrelas artificiais que servem de referência para a mediação da «turbulência atmosférica».

Em fevereiro de 2018, a nova técnica foi testada pela primeira vez, levando a que as luzes geradas pelos lasers fossem captadas pelo telescópio UT4 do VLT como também no Espresso, que estão afastados por uma distância de 60 metros.

Os lasers acabam por dispersar e é este efeito, quando comparado com modelos teóricos, que permite levar a cabo a calibração dos dados recolhidos pelo Espresso: «Enquanto outros métodos habitualmente usados recorrem a lâmpadas de referência, cuja luz é artificialmente inserida no instrumento, a luz dos lasers vem do céu e percorre o telescópio e a ótica do instrumento da mesma forma que o fará o sinal de alvos científicos», refere Frédéric Vogt, citado em comunicado do IA.

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