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Cientistas de Coimbra ajudam a criar software de reconhecimento facial de chimpanzés

Hugo Séneca

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Através de técnicas de inteligência artificial e repositórios com 10 milhões de imagens de captadas na Guiné Conacri, investigadores das Universidades de Coimbra e Oxford criaram uma nova ferramenta que permite identificar chimpanzés da infância à idade adulta

Investigadores do Laboratório de Modelos Primatas da Universidade de Oxford e do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) criaram aquele que poderá muito bem ser o primeiro software capaz de distinguir chimpanzés filmados em ambiente selvagem através de técnicas de reconhecimento facial. A nova ferramenta, que revelou fiabilidade em vídeos que acompanham diferentes chimpanzés da infância até à data adulta, surge descrita num recente artigo da revista Science Advances. Os investigadores acreditam que a ferramenta possa vir a revelar utilidade na identificação de indivíduos de outras espécies – e já estão a preparar aplicação da tecnologia a imagens de babuínos da Gorongosa, em Moçambique.

De acordo com um comunicado da Universidade de Coimbra, o novo software de reconhecimento facial foi desenvolvido ao longo dos últimos dois anos por uma equipa de investigadores liderada por Susana Carvalho e Daniel Schofield, que recorreu a técnicas de Inteligência Artificial para identificar os diferentes espécimes de chimpanzés que foram filmados no passado. Para treinar o software, a equipa luso-britânica usou um arquivo de mais de 10 milhões de imagens de rosto de chimpanzés que foram obtidas na Guiné Conacri, mas que se encontram nos arquivos da Universidade de Quioto, no Japão.

Além de acelerar o processamento de grandes volumes de informação, a nova ferramenta permite superar os desafios criados pelas condições em que as imagens foram captadas (vegetação, zooms, excesso ou escassez de luminosidade) ou as evoluções dos indivíduos ao longo do tempo. Os investigadores recordam que, até à data, as únicas ferramentas com funcionalidades semelhantes haviam sido usadas apenas com animais em cativeiro. O que abre caminho a perspetivas animadoras no que toca ao tratamento dos repositórios de vídeos que têm vindo a ser feitos sobre os chimpanzés africanos nas últimas décadas.

«Ao automatizar a identificação de indivíduos, obtém-se também a automação das redes sociais desses indivíduos no seu grupo (produzindo automaticamente as chamadas Social Network Analysis). Com isso conseguimos ver a posição do indivíduo no seu grupo, ao longo dos anos», recorda Susana Carvalho, investigadora da FCTUC e coordenadora do Laboratório de Modelos Primatas da Universidade de Oxford, aludindo a um estudo levado a cabo em boussou, que concluiu que os chimpanzés tendem a isolar-se gradualmente, à medida que envelhecem.

A investigadora não hesita em apontar o «imenso potencial» da nova ferramenta «para aplicações no trabalho de conservação de animais, particularmente em primatas (embora o nosso sistema possa ser adaptado a outras espécies), existe um potencial enorme para identificação de indivíduos, contagem automática de indivíduos em cada frame, etc.».

O uso desta tecnologia na análise de babuíno do Parque da Gorongosa, em Moçambique, é um dos passos que se seguem neste projeto. A classificação automática de poses e movimentos é outra das áreas deste projeto que vai prosseguir, nos próximos tempos, em parceria entre as Universidade de Coimbra e Oxford.

Os vídeos inseridos nesta página foram produzidos pelas universidades de Oxford e Coimbra.

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