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Google diz ter alcançado a «supremacia quântica»

Sundar Pichai, CEO da Alphabet/Google, junto a um dos computadores quânticos da Google

«Estas aplicações estão ainda a vários anos de distância e nós estamos comprometidos em construir computadores quânticos que corrigem erros e que poderão potenciar estas descobertas. Sempre soubemos que seria uma maratona, e não um sprint», lembrou o CEO da Alphabet, que detém a Google

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A Google anunciou ter conseguido executar, em 200 segundos e com um chip quântico, os cálculos que. alegadamente, exigiriam 10 mil anos ao supercomputador clássico mais rápido do mundo na atualidade. O feito alcançado pelo chip conhecido por Sycamore já gerou alguns despiques num dos rivais, mas é apresentado pela gigante tecnológica como um marco no que toca à «supremacia quântica» - precisamente, o momento em que os computadores quânticos confirmam a capacidade para resolver cálculos de forma mais expedita que os computadores clássicos.

Durante os ensaios, os investigadores usaram um chip Sycamore com 54 qubits, para identificar padrões em sucessões de números aleatórias. Segundo os investigadores, foi usado um chip de 10 milímetros de aresta – e apenas 53 dos qubits alinhados sobre uma grelha entraram em ação para obter o resultado em 3,2 minutos (os já referidos 200 segundos).

Qubit é o nome dado à unidade mínima de informação que computador quântico consegue trabalhar. Ao contrário do bit, que ou assume o valor de 1 ou de 0 como acontece na numeração binária, os qubits partem do princípio de que podem assumir-se em simultâneo e em paralelo como 1 e 0 – o que exponencia a velocidade do processamento de dados. A esta capacidade de ser 1 e 0 ao mesmo tempo dá-se o nome de superposição. Mediante estes estados aparentemente opostos que cada qubit assume é gerado um quantum entanglement (tradução literal: emaranhamento quântico), que interliga diferentes qubit e acelera o tratamento da informação, porque permite ter em conta múltiplas hipóteses, variáveis e resultados possíveis.

O feito dos investigadores do grupo Alphabet vem relatado na edição do 150º aniversário da revista Nature e Sundar Pichai, CEO da Alphabet (que detém a Google), não desperdiçou a oportunidade para reclamar os créditos de mais de 13 anos de investigação interna – que por acaso viriam a registar um incremento de monta quando os laboratórios da Google tiveram de ser forçados a encerrar devido aos grande incêndios que assolaram a Califórnia, durante 2018.

Pichai não se coíbe de comparar o feito dos engenheiros da empresa que detém a Google ao lançamento dos primeiros foguetões para os Espaço, mas também refreia os ânimos quanto ao uso da computação quântica no dia-a-dia: «Estas aplicações estão ainda a vários anos de distância e nós estamos comprometidos em construir computadores quânticos que corrigem erros e que poderão potenciar estas descobertas. Sempre soubemos que seria uma maratona, e não um sprint. A questão de construer alguma coisa que não foi ainda comprovada é que não há um manual. Se a equipa precisa de um componente, tem de o inventar e construir por si só. E se não resultar – e muitas vezes não resulta – há que redesenhar e construir tudo outra vez».

Entre os principais desafios superados pela equipa de engenheiros da Google, há um que se destaca: os chips Sycamore usados nos testes tiveram de operar a temperaturas próximas do zero absoluto (cerca de -273 graus), para poderem reduzir os efeitos das vibrações e as falhas que produzem.

A IBM, outra das gigantes tecnológicas que tem vindo a investir forte na computação quântica, já aproveitou a ocasião para emendar a Google, dizendo que os cálculos usados pelo chip Sycamore podem ser executados com maior fiabilidade em cerca de 2,5 dias com um supercomputador clássico – desde que seja adicionada capacidade aos sistemas de armazenamento de dados.

«Os computadores quânticos nunca haverão de reinar de forma suprema sobre os computadores clássicos, mas ao invés, vão operar de forma concertada com eles (com os computadores clássicos), uma vez que cada um tem capacidades que são únicas», defendeu Dario Gil, diretor de Investigação da IBM, quando questionado pela Reuters.

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