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DJI Inspire 2, o drone dos ralis

Sérgio Magno

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Durante alguns minutos fomos pilotos no Rali de Portugal… Não de um carro, mas sim do drone topo de gama da DJI.

Algumas das imagens mais impressionantes do WRC são captadas pelos drones da DJI, que tem três equipas a acompanhar grande parte das classificativas que constituem o mundial de ralis. Estivemos em Baldar, no Shakedown do Rali de Portugal, para conhecer melhor a mais recente máquina topo de gama do fabricante chinês, o Inspire 2.

Quando equipado com câmara e alguns dos extras que podem ser considerados essenciais para tirar máximo partido do drone, o Inspire 2 pode facilmente ultrapassar os 10 mil euros. Um valor muito superior ao preço do primeiro Inspire, o que demonstra bem que a DJI está a apostar em conquistar um segmento superior.

Em termos de características, o Inspire 2 bate toda a concorrência entre os drones “prontos a funcionar” para o mercado profissional.

Como alguns dos modelos Phantom e Mavic, o Inspire 2 utiliza tecnologia de transmissão proprietária da DJI que permite juntar a transmissão de vídeo, em direto e sem atrasos, ao sinal de rádio que controla o aparelho. O que significa que não é necessário montar qualquer sistema extra para captar e emitir o vídeo. Aliás, através da saída digital disponível no comando, é possível fazer transmissões em direto e em alta definição da imagem captada pela câmara do drone. A DJI comercializa duas câmaras com estabilizador (Gimbal) para o Inspire 2: a Zenmuse X4S com sensor de 1” (4K) e a Zenmuse X5S capaz de gravar vídeo em 5,2K. Esta última câmara utiliza um sensor Micro Quatro Terços, o que permite a mudar de objetiva, e tem modos de gravação CinemaDNG e Apple ProRes (dois formatos dedicados à produções profissionais, incluindo cinema). E para gravar nos melhores formatos em segurança há um novo sistema de armazenamento proprietário baseado em tecnologia SSD. O que aumenta ainda mais o custo de utilização – por exemplo, uma unidade de 120 GB custa 349 euros.

Mas o Inspire 2 tem mais câmaras. Câmaras dedicadas a detetar obstáculos e sensores de ultrassons e infravermelhos para fazer o mesmo. Sensores que estão instalados na zona frontal, na parte inferior e na parte superior do drone, o que significa que é possível evitar obstáculos mesmo quando o aparelho voa por baixo de elementos como pontes e árvores. Todos estes sensores são importantes para os vários modos automáticos que permitem seguir motivos sem o risco de chocar contra obstáculos que surjam durante o voo.

Na parte frontal há uma câmara fixa, estabilizada sob dois eixos, que transmite uma visão “na primeira pessoa”. Esta imagem faz com que o piloto do drone não perca a noção da posição do aparelho, isto porque a câmara dedicada à captura de imagem pode rodar 360 graus. Vários utilizadores relataram ter perdido o sentido de orientação com o Inspire 1 porque usavam a câmara de captura de imagem também para pilotar, conduzindo a acidentes. Com uma câmara só para pilotagem, o problema foi resolvido. De referir que o piloto pode, a qualquer momento, alternar entre as imagens da câmara do vídeo e da câmara de pilotagem, sendo também possível sobrepor as duas imagens.

Operador de câmara dedicado

Como o primeiro Inspire, é possível usar um segundo comando dedicado à câmara, ou melhor, ao Gimbal, o sofisticado estabilizador de três eixos que garante que os vídeos pareçam ter sido captados através de uma câmara instalada num tripé ou numa grua. E é este o método de controlo utilizado pelos operadores dos Inspire 2 ao serviço da equipa televisiva do WRC. Enquanto o piloto controla, a alta velocidade, os movimentos do drone, seguindo os automóveis a curta distância, o operador de câmara preocupa-se apenas com enquadramento. Um método que, segundo os operadores, é necessário para seguir carros a alta velocidade, que incluem voos rasantes. E, de facto, em Baltar verificámos que muitas vezes os drones voam a menos de um metro do carro.

A nossa experiência

Depois de passarem os carros mais importantes do WRC, a equipa da DJI deixou-nos pilotar o Inspire 2. Apesar da nossa relativa inexperiência, a segurança dos pilotos e dos espetadores nunca esteve em risco porque estivemos a usar um modo de aprendizagem, em que um experimente piloto da DJI tinha um segundo comando com prioridade. Ou seja, a qualquer momento o piloto “encartado” podia assumir o controlo do drone.

A experiência foi de apenas alguns minutos, mas foi suficiente para perceber como o Inspire 2 representa uma evolução significativa relativamente ao antecessor no que concerne à velocidade de resposta. Mesmo a alta velocidade – o Inspire 2 pode ultrapassar os 90 km/h – conseguimos mudar de direção rapidamente. E o mais impressionante é que, independentemente dos movimentos bruscos, a imagem da câmara mantém-se sempre estável. Depois, passámos para a posição de operador de câmara onde verificámos que o controlo do movimento do Gimbal está mais apurado. É relativamente fácil manter um carro de rali a alta velocidade no centro do enquadramento, o que nos parece ser o teste derradeiro. Podemos movimentar a câmara de modo mais lento ou muito rapidamente, mas o Gimbal faz com que estes movimentos sujam suaves, sem “saltos”. Mas o melhor é ver.

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