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A Apple tem servidores com chips espiões? Tim Cook pede que Bloomberg se retrate

Justin Sullivan

Quase 30 entidades dos EUA terão usado servidores com chips espiões. Entre as alegadas vítimas, figuram a Apple, a Amazon, navios de Marinha americana e um grande banco, Tim Cook nega que a Apple use servidores com chips espiões

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Pela primeira vez, um CEO da Apple exigiu a um órgão de comunicação social que se retratasse de uma notícia. Depois de negar formalmente o uso de servidores que, alegadamente, têm integrados chips espiões, foi a vez de Tim Cook, líder da Apple, solicitar à Bloomberg Businessweek que se retratasse, a fim de dar a conhecer uma versão diferente daquela que inicialmente publicou a 4 de outubro. «Eles (Bloomberg BusinessWeek) têm de fazer as coisas bem e retratarem-se», disse o CEO da Apple à Buzzfeed. Em paralelo com as palavras de Tim Cook, a Apple enviou para o Congresso dos EUA, que é composto por senadores e representantes dos diferentes estados, a desmentir a reportagem da Businessweek.

A primeira reação dos destinatários não parece ir ao encontro das palavras de Cook e da Apple: «A investigação da Bloomberg Businessweek é o resultado de mais de um ano de reportagem, durante o qual conduzimos mais de 100 entrevistas», respondeu o órgão de comunicação social num comunicado, que lembra que o mais recente escândalo do setor da cibersegurança tem por base as revelações levadas a cabo por 17 fontes da área empresarial e governamental. «Mantemos a nossa versão e mantemo-nos confiantes na nossa reportagem e nas nossas fontes», acrescentou o órgão de comunicação do grupo Bloomberg.

Na reportagem publicada a 4 de outubro, a Bloomberg Businessweek revelou que os servidores usados por uma produtora da software de compressão de vídeo terão instalados chips minúsculos, que permitem extrair informação e dados para uma alegada rede de espionagem. O “caso” teve início em 2015, depois de a Amazon ter começado a analisado a eventual compra a Elemental – cujo software de compressão de vídeo já tinha demonstrado capacidade tecnológica ao serviço da CIA, em transmissões de Olimpíadas ou até nas comunicações com a Estação Espacial Internacional (ISS).

A intenção de compra levou a Amazon a proceder a uma auditoria de segurança a uma entidade independente. Para isso, a gigante do comércio on-line enviou vários servidores para análise no Canadá. O software de compressão de vídeo foi criado pela Elemental, mas o hardware tinha sido montado pela Supermicro Computer.

Os resultados da auditoria de segurança permitiram detetar pequenos chips alegadamente espiões nos vários servidores que a Supermicro montou para correr o software da Elemental. A deteção misteriosos chips foi, de seguida, comunicada às autoridades dos EUA que, segundo a Bloomberg Businessweek, mantém a decorrer as diferentes diligências passados três anos. Já terão sido contabilizadas quase 30 entidades que usam servidores da Elemental-Supermicro. Entre elas, figuram a Apple, que terá ponderado uma encomenda de mais de 30 mil servidores, mas acabou por desistir do investimento, alegadamente, por também ter detetado chips espiões nos servidores. Hoje, o único indício de que algo poderá ter corrido mal com os servidores usados pela Elemental é o suposto corte de relações entre Apple e a Supermicro. Também há registo de um banco e de barcos da Marinha dos EUA, que alegadamente usam sistemas montados pela Supermicro e que, eventualmente, terão chips espiões integrados.

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