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Sony aposta em televisores 8K afinados para cinéfilos

O que fará um televisor LCD custar tanto quanto um carro ou mais do que muitas casas? Fomos a Paris conhecer os primeiros televisores 8K da Sony.

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Os preços não deixam dúvidas: a Sony aponta claramente os primeiros televisores 8K da marca ao topo. O mais “acessível” Master ZG9 tem um ecrã de 85” e custa cerca de 17.000 euros. E se acha este valor obsceno, o que irá dizer da versão de 98”, que custa… 79.999 euros. Sim, leu bem.

Uma das razões dos preços elevados é, obviamente, a dimensão dos ecrãs. Não há planos para lançar versões com diagonais menores porque, para os responsáveis da Sony, «não faz sentido ter resolução de 8K em painéis mais pequenos porque a densidade de píxeis é demasiado elevada para se notar a diferença para um ecrã de 4K». E, para demonstrá-lo, a Sony partilha alguns números: 8K num ecrã de 85” representa uma densidade de píxeis de 104 pontos por polegada (ppp), sensivelmente o mesmo que a densidade apresentada por um ecrã 4K de 43” – não esquecer que a resolução 8K significa cerca de 33 milhões de píxeis, cerca de quatro vezes mais que o 4K.

Tecnologicamente, a Sony foi “all in” nos Z9G. Ou quase. Quase porque usam, como já foi referido, painéis LCD e não OLED. Para quem não está por dentro destas coisas, a grande diferença é que nos OLED cada píxel é, simultaneamente, a sua fonte de luz, o que permite níveis de contraste elevadíssimos e, não menos importante, evitar a contaminação de luz entre píxeis adjacentes. Nos LCD é necessária uma fonte de luz (retroiluminação) para incidir em cada célula do painel (píxel), cabendo ao LCD dar a cor à luz e deixar passar mais ou menos luz. Nos modelos atuais, esta fonte é do tipo LED, o que tem vantagens em termos de durabilidade, qualidade e consumo energético. Nestes ecrãs, a regra é que quanto mais LEDs de iluminação existirem e quanto mais forem controlados de forma independente, melhor. Isto porque permite, pelas razões mencionadas para o OLED, melhorar o contraste (diminuindo ou aumentado a luz) e o tal efeito de contaminação. Ao contrário do que é habitual mesmo nos melhores painéis LCD, em que os LEDs são controlados em grupos, nos ZG9 cada LED é controlado de forma independente (Full Array), o que, na prática, resulta num comportamento próximo dos OLED, mas com muito mais brilho.

Como o som também é importante num televisor, a Sony optou por instalar três pequenos altifalantes (um para agudos e dois para médios) em cada um dos quatro cantos do ecrã. E é por isto que se vê uma pequena grelha por cima e por baixo do ecrã – esta grelha também é usada para refrigeração. Na prática, esta arquitetura faz com que o som pareça sair do próprio ecrã. Para garantir ainda maior qualidade, na traseira há altifalantes para os baixos (subwoofer). Para quem já tem um sistema de som surround, este televisor pode ser configurado para funcionar como altifalante central.

Um pormenor da grelha superior onde se consegue ver os altifalantes. Há um conjunto de três altifalantes em cada um dos cantos dos televisores Z9G

Um pormenor da grelha superior onde se consegue ver os altifalantes. Há um conjunto de três altifalantes em cada um dos cantos dos televisores Z9G

Cinematográfico

Como tem sido típico da Sony, os Z9G estão afinados para apresentarem imagens o mais realistas possível e próximas das intenções dos produtores dos conteúdos. Isto significa que mesmo em modo Intenso temos cores vivas, mas não demasiado saturadas. No modo Cinema ficamos com uma imagem menos brilhante e mais suave, adequada para ser vista numa sala escurecida.

Para trabalhar em 8K, estes Sony usam uma nova e mais poderosa versão do processador de imagem X1. E umas das características mais destacadas pela marca japonesa é a capacidade de upscale, ou seja, de aumentar a resolução do conteúdo em resolução mais baixa. Para o efeito, o processador X1 Ultimate reconhece mais de 100 objetos existentes na imagem e compara-os com uma base de dados integrada de milhares de imagens. Deste modo, é capaz de detetar, por exemplo, árvores, pedras ou água e adicionar-lhes píxeis de acordo com as imagens disponíveis na tal base de dados. Tudo para que o aumento artificial da resolução conduza a imagens tão naturais quanto possível. E a Sony chama a atenção para a capacidade de processar de forma independente cada um dos mais de 100 objetos que é capaz de reconhecer ao contrário do habitual sem sistemas de upscale concorrentes, que processam cada fotograma como um todo.

Android TV

A Sony tem sido uma das poucas marcas que tem apostado no sistema operativo da Google para os televisores. Uma opção muitas vezes criticada que, no entanto, tem uma grande vantagem: as apps. Há, de facto, muita apps que se podem instalar além dos habituais serviços de streaming.

O Master Series Z9G de 85" chega ao mercado nacional em meados deste mês de junho enquanto a versão de 98", a tal de 80 mil euros, chega no início de julho.

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