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Insólitos

Presidiário português só precisou de um telemóvel para lançar burla milionária

Muita conversa para convencer as vítimas e uma aplicação que desviava os códigos de transferências bancárias permitiram que Allan Shariff desviasse milhares de euros de lojas de informática.

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Hugo Séneca

Alan Shariff (a meio da foto), numa das aparições públicas durante os processos de que é acusado

Alan Shariff (a meio da foto), numa das aparições públicas durante os processos de que é acusado

Allan Shariff, um recluso luso-americano que se encontrava na prisão de Pinheiro da Cruz, precisou apenas de um telemóvel para faturar milhares de euros com uma burla que terá afetado várias lojas de informática.

Aparentemente, nem o facto de se encontrar preso por ter logrado assaltar um banco de Miami por telefone terá chegado para dissuadir o luso-americano de 36 anos de prosseguir com a carreira de burlão. O golpe tem uma componente técnica – mas nunca teria sido possível sem as competências “sociais” que Shariff terá desenvolvido ao longo do tempo.

Depois de ter convencido um guarda prisional a quebrar as regras do estabelecimento prisional cedendo-lhe um smartphone, o burlão deitou mão à notória capacidade de persuasão: terá sido assim que conseguiu convencer profissionais de lojas de informática a instalarem uma aplicação nos respetivos sistemas, informa o Diário de Notícias.

Nos contactos estabelecidos por telefone a partir da cadeia, Shariff apresentava-se como representante de empresas como a Western Union ou a Moneygram. Os investigadopres da Polícia Judiciária (PJ) que lideraram as investigações acreditam que a aplicação instalada nos computadores das vítimas terá permitido o acesso aos códigos usados pelas lojas de informática para fazer transferências bancárias, refere ainda o Diário de Notícias.

Allan Shariff também terá contado com cúmplices no exterior da prisão alentejana, que levantavam o dinheiro desviado das lojas de informática. O suspeito de burla, que é filho de uma portuguesa e de um indonésio, terá começado a ser investigado pela polícia dos EUA ainda em 2003. Terão sido estas primeiras suspeitas que o levaram a radicar-se em Mangualde.

No Correio da Manhã é possível descobrir mais alguns dados sobre o pouco recomendável currículo do burlão luso-americano: Em 2010, Allan Shariff já tinha sido sentenciado a 17 anos de prisão por burlas que desfalcaram as contas de instituições bancárias de vários países. O tio, de nome José Guedes, foi condenado no mesmo processo a 12 anos de prisão. Em 2012, num processo de extorsão e desvio de dinheiro do empresário Timothy Von Kaay, que se deslocou à Beira Interior atraído por um susposto negócio, Shariff foi condenado a 10 anos de prisão. José Guedes foi sentenciado a sete anos de prisão.

Além de mais um processo de burla contra Allan Shariff, a investigação terminou com a detenção do guarda prisional que introduziu o smartphone na cela de Allan Shariff.

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