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Asgardia quer ser o primeiro país espacial em 2017. E já aceita pedidos de cidadania

O presidente do Comité de Ciência e Espaço da Unesco quer atribuir a cidadania de Asgardia a 100 mil pessoas para poder aspirar a um assento nas Nações Unidas.

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Asgardia teria tudo para ter um novelista de ficção científica como líder supremo, mas não, Igor Ashurbeyli não é conhecido pela veia literária, mas sim por ter sido nomeado presidente do Comité de Ciência e Espaço da UNESCO. De ora em diante, é possível que se torne também conhecido como o mentor da primeira nação espacial. Ou até como os primeiro de todos os asgardianos. Já não falta muito para o momento fundacional: em 2017, a nova nação que é tão arrojada que nem sequer as leis internacionais a conseguem enquadrar, deverá ser proclamada com o envio do primeiro satélite para o Espaço.

Asgardia quer ser uma nação de contornos experimentais, mas aparentemente não gosta de nacionalismos. Num texto de apresentação do projeto, Ashurbeyli explica que a nova nação pretende servir todos os humanos, independentemente do país onde nasceram ou da situação financeira em que se encontram.

Os mentores do projeto também pretendem pôr à prova o amor à nova pátria junto da comunidade e, por isso, já lançaram concursos para a composição do hino e o desenho da bandeira. Segundo a Cnet, os criadores da nova nação pretendem “naturalizar” mais de 100 mil pessoas através de candidaturas que podem ser encontradas no site da nova nação.

Se chegarem a uma população com 100 mil habitantes, os mentores deste projeto poderão solicitar um assento nas Nações Unidas. Até à data, o site de Asgardia já recebeu mais de 47 mil pedidos de cidadania.

Ao contrário de alguns países que exigem o exclusivo da nacionalidade, Asgardia não impede os candidatos a cidadãos de manterem as nacionalidades originais. E até pode haver uma razão prática para isso: é altamente improvável que a esmagadora maioria dos asgardianos alguma vez consiga visitar (ou sequer ver) Asgardia. A nova nação deverá ficar confinada ao satélite que deverá orbitar em torno da Terra depois de 2017.

Entre os analistas, as opiniões dividem-se entre o otimismo de quem acredita que o projeto apenas pretende criar mecanismos de ajuda para missões espaciais e as reticências de quem acha que esta pode muito bem ser uma manobra para contornar o Tratado do Espaço Exterior, que juntou a maioria das nações em torno de um conjunto de regras e regulamentos que definem direitos e responsabilidades dos países durante missões de exploração espacial.

Independentemente dos desígnios do novo País, sabe-se que Asgardia tem uma penosa missão pela frente: De acordo com o direito internacional, o estatuto de nação pressupõe a existência de uma população e a posse de um território, bem como o reconhecimento de outras nações. E qualquer destes três requisitos poderá exigir a Igor Ashurbeyli um talento encantatório que só se encontra nos melhores romances de ficção científica.

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