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Como as tecnologias denunciaram uma batota na meia maratona de Fort Lauderdale

A imagem captada pela organização da meia maratona A1A que haveria de denunciar a alegada batota de Jane Seo

As tecnologias valeram um segundo lugar na meia maratona de Fort Lauderdale; e as mesmas tecnologias haveriam de mostrar que esse segundo lugar foi alcançado com batota

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Jane Seo já sabe quem é Derek Murphy, mas não deve guardar grandes recordações. E há mesmo uma grande probabilidade de o sentimento ser mútuo. A apresentação das duas pessoas ajuda a perceber porquê: Jane é, alegadamente, uma maratonista; e Derek dedica-se, não se sabe se por profissão ou por hóbi, a investigar fraudes em maratonas. Jane ficou em segundo lugar na meia-maratona de A1A que se realizou a 17 de fevereiro em Fort Lauderdale, nos EUA. E Derek encontrou forma de mostrar que Jane, eventualmente, é melhor na batota tecnológica que a correr. A partir daí, a breve relação entre os dois nunca mais evoluiu.

A breve história que se segue é ilustrativa dos tempos que correm: Jane queria fazer um figurão e conseguiu arrebatar o segundo lugar na meia maratona A1A. Só que Derek achou estranho o ritmo com que Jane terminou a corrida – e achou ainda mais curioso pelo facto de a atleta ter disponibilizado, na app Strava, poucos dados fisiológicos relativos à corrida (apenas a distância e o tempo demorado). Mas ao contrário do que possa parecer, Jane Seo está longe de ser uma infoexcluída. E foi isso que o jornal Miami New Times acabou por explicar com base nas declarações de Derek Murphy.

Talvez a própria Jane Seo tivesse concluído que a escassez de informação pudesse ser suspeita, e por isso acabou por publicar os dados relativos ao percurso efetuado na corrida que haviam sido registados pelo GPS. E foram os tempos inseridos nesse percurso que haveriam de levantar a derradeira “lebre”.

Num volte-face tecnológico que só mesmo os guionistas de filmes mais geeks conseguiriam engendrar, o caçador de maratonistas batoteiros decidiu investigar o histórico daquele percurso – e espantou-se com os dados captados pela pulseira de fitness da maratonista que apresentavam um batimento cardíaco «expectável para um passeio de bicicleta e não para uma corrida».

A revelação final também não desmerece as rotinas tecnológicas da atualidade: já sem grandes dúvidas de que estava perante um potencial caso de batota, Derek começa a visionar as fotos que Jane colocou no Instagram. E eis que surge uma imagem da corredora com o troféu de segundo lugar na mão direita, enquanto no pulso da mão esquerda despontava um wearable Garmin 235. Derek poderia não estar disposto a dar tudo para ter acesso ao ecrã do tracker usado pela suspeita de batota, mas não hesitou em gastar algum dinheiro para conseguir uma cópia da foto de Jane Seo em alta resolução – para podê-la ampliar… e descobrir os números que constavam naquele Garmin 235.

A cópia em HD logo sanou as dúvidas: a meia maratona A1A tinha uma extensão de 13,1 milhas (21 quilómetros); mas o ecrã do tracker da Garmin, que se encontrava no pulso da suspeita, ostentava 11,65 milhas (18,7 quilómetros). O facto de os números não coincidirem não chega para concluir que houve fraude – e Jane Seo negou qualquer batota quando confrontada pelos dados apurados por Derek Murphy. Até que os resultados da investigação foram tornados públicos. No dia seguinte, numa página do Instagram, a suspeita terá admitido que cortou parte da corrida e recorreu a uma bicicleta para garantir o segundo lugar. O mesmo post acabou por ser eliminado. E a organização da prova eliminou o resultado obtido pela atleta.