Fazer um charro e um coquetel molotov? A Wikipédia explica como

Hugo Séneca
15/11/2012 08:55

Faz sentido a Wikipédia explicar as várias formas de consumir canábis? E quem não é adepto do “paz e do amor” pode aprender quais são os ingredientes de um coquetel molotov?

Basta um par de cliques na enciclopédia mais famosa da Internet para saber o que é a canábis e os vários meios de a consumir. O internauta apenas tem de decidir se prefere conhecer um artigo de âmbito biológico, ou se opta por uma explicação mais relacionada com os tipos de consumo e os efeitos que a canábis produz quando inalada ou ingerida. E é nesta segunda entrada da Wikipédia, que surge a explicação que pode revelar-se útil para quem quer iniciar-se no consumo de “erva” ou “marijuana”: além de dar a conhecer as várias formas de consumo do canábis, são referidos com algum detalhe científico os diferentes efeitos produzidos pelos vários modos de consumo, bem como os riscos para a saúde que daí derivam.

Na entrada relativa ao coquetel molotov, a versão em Português da Wikipédia fornece dados que podem ser úteis para quem quer iniciar-se na matéria. A página refere o histórico, componentes e as variantes destes explosivo artesanal – só não refere as proporções que devem ser usadas, o que não livra os mais aventureiros de perigos maiores.

Manuel de Sousa, presidente da Wikimédia Portugal, considera que a informação que consta nas páginas da Wikipédia não difere muito daquela que é costume aparecer noutras enciclopédias. «Não cabe à Wikimédia censurar conteúdos. Se descobrirmos conteúdos questionáveis, debatemos o assunto com outros editores. O facto de ser um representante da Wikimédia não me dá supremacia sobre os outros editores. E nem a fundação que tem os servidores dispõe dessa supremacia. Trata-se de uma iniciativa que cabe aos editores e que tem regras próprias».

Manuel de Sousa considera que um artigo enciclopédico deve dar «informação que permite ter uma visão global de cada assunto. Num artigo sobre droga, é natural que surja informação sobre formas de consumo, cultivo, efeitos ou perigos». No que toca ao artigo do coquetel molotov, Manuel de Sousa rejeita qualquer efeito perverso: «Não é um manual de instruções, dá apenas informação genérica de como funciona. E muito menos incentiva a fazer um coquetel molotov. Também há páginas sobre a bomba atómica, que fornecem informação pormenorizada, e ninguém anda a dizer que estas páginas estão a ser usadas por cientistas que querem fazer bombas atómicas», acrescenta o responsável da Wikimédia.

Não é só nas páginas da Wikipédia que se encontra informação sobre consumo de drogas ou a produção de explosivos. Na Internet, não faltam sites que explicam com detalhes em português, inglês ou espanhol com detalhes sobre modos de preparação e uso. Tito Morais, mentor do projeto Miúdos Seguros na Net (MSnN), relaciona a existência de páginas dedicadas à canábis e ao coquetel molotov com a liberdade de expressão na Internet e relembra que, ao contrário de outras enciclopédias, os artigos da Wikipédia não são produzidos e validados por especialistas.

Tito de Morais acredita que a abundância de informação que pode ser usada para fins ilegais ou impróprios «é o preço a pagar pela liberdade de expressão». O responsável pelo MSnN recorda que há ferramentas tecnológicas que permitem filtrar conteúdos perigosos para a sociedade, mas sublinha que pais e encarregados de educação têm um papel determinante a preparar os jovens internautas para o que podem descobrir na Web. «Até porque hoje as crianças já fazem pesquisas no Google antes de perguntar aos pais», acrescenta.

Tito Morais indica que a publicação de conteúdos enganosos ou danosos para a população não é um fenómeno novo, e a Wikipédia, por ser um site colaborativo onde nenhum editor não é responsável pelos artigos publicados, por mais de uma vez já publicou artigos pouco abonatórios para artistas de TV e políticos nacionais. «Se a Wikipédia fosse minha, limitava esses conteúdos, mas como não sou o proprietário, não posso limitar nem impor critérios a terceiros», conclui Tito de Morais.

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