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4G+: portugueses ainda vão ter de esperar para ter 450 Mbps nos telemóveis

Depois da 4G, os telemóveis irão para a 5G. Mas pelo meio há ainda cinco anos de espera – e a 4G+, com larguras de banda que podem chegar a 1 Gbps. Eis uma pequena viagem ao futuro das redes móveis.

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Hugo Séneca

As siglas têm um ciclo de vida. Nos telemóveis, também. Exemplos: nos anos 1990 começou-se a falar de 2G quando as redes móveis deixaram de ser analógicas; na década seguinte passou-se para a 3G e a banda larga tornou-se móvel. Hoje, vive-se em plena 4G… e já há quem fale de 5G, que só deverá disseminar-se depois de 2020. Mas antes da nova geração, há ainda um salto intermédio: a 4G+, uma versão avançada da quarta geração de telemóveis (4G) também conhecida por LTE Advanced, que tem como atrativo uma largura de banda que pode chegar a 1Gbps, mas que deverá entrar no mercado com 450 Mbps. Quando é vai estar disponível em Portugal? Os operadores não dão uma resposta definitiva.

«Apesar de estarmos já a utilizar o 4G+ em algumas áreas, o seu lançamento comercial será realizado apenas quando estiverem reunidas todas as condições, nomeadamente, quando forem disponibilizados no mercado os equipamentos que suportem esta tecnologia», refere a Vodafone, numa resposta oficial enviada para a Exame Informática.

No final de 2014, a Vodafone aproveitou para dar largas ao potencial de marketing que costuma estar associado ao lançamento de novas tecnologias e fez saber que era um dos primeiros operadores do mundo a embarcar neste upgrade da 4G. A reação da concorrência não se fez esperar: Na Nos também já começaram a ser feitos testes e pilotos técnicos com velocidades de 450 Mbps. No que toca ao lançamento de um serviço comercial a resposta não é muito diferente daquela que a Vodafone aponta como o principal desafio a superar nos tempos mais próximos: «A quase completa ausência de equipamentos compatíveis torna o lançamento desta funcionalidade pouco relevante nesta fase, mantendo-se o nosso enfoque no lançamento de produtos e serviços relevantes e inovadores para um número alargado de clientes», atenta a operadora numa resposta oficial.

Algumas pesquisas na Internet bastam para ter uma ideia do número de equipamentos compatíveis no mercado: Desde 2013, data em que a Samsung anunciou os primeiros terminais compatíveis e a SK Telecom, da Coreia do Sul, fez saber que já tinha uma rede preparada para a nova tecnologia, que muitos outros anúncios e lançamentos se seguiram.

Numa página da Wikipédia, é possível descobrir 47 dispositivos que já estão aptos a conectar-se à 4G+. Só que nem todos são smartphones, nem estão disponíveis nas lojas portuguesas e nenhum permite chegar ao máximo de 1 Gbps de velocidade de download. Nesta lista, há apenas cinco smartphones que prometem chegar aos 450 Mbps; há um terminal que aponta para os 433 Mbps; e todos os restantes se repartem entre routers, telemóveis, e hotspots que chegam ora aos 300 Mbps ora aos 150 Mbps. Sony, LG, e Smasung são algumas das marcas representadas nesta lista.

No que toca à tecnologia de rede, Joaquim Santos, diretor de Tecnologias da Ericsson Portugal, garante: «os operadores que são nossos clientes já poderiam ter 4G+ com uma cobertura similar à que hoje existem Portugal na 4G. É apenas uma questão de quererem investir nas tecnologias».

O 4G+ tem por base a agregação de frequências usadas na 4G ou mesmo noutras gerações de redes móveis. Esta combinação de frequências permite não só alcançar maior largura de banda através do uso de maiores faixas de espetro, como ainda permite tirar partido das especificidades de cada frequência (as frequências mais altas permitem maior largura de banda e menos alcance; as frequências mais baixas têm menos largura de banda e maior alcance).

Joaquim Santos recorda que desde 2009 que tem vindo a ser trabalhado o lançamento da nova geração móvel que fica a meio entre a 4G e a 5G. É uma evolução tecnológica que envolve vários intervenientes: «Atualmente estamos a trabalhar com fabricantes de chips», exemplifica o responsável da Ericsson Portugal.

Apesar de ainda soar a futurista, e apesar de todos os desafios técnicos, Vodafone mantém acesa a esperança quanto ao impacto que a 4G+ poderá quando chegar ao mercado. «Este passo de gigante nas velocidades da rede móvel trará grandes vantagens para a utilização de serviços e aplicações de streaming de áudio e vídeo na Web (vídeos 4k, por exemplo). A 450 Mbps é possível, por exemplo, abrir uma página web de forma instantânea (dois milissegundos), descarregar um ficheiro de 100 MB em menos de 1,7 segundos e um filme HD (2GB) em cerca de 36 segundos».

As velocidades da 4G+ podem soar a “música” aos ouvidos dos consumidores, mas a nova tecnologia também tem vantagens para os operadores: «A tecnologia 4G+ pode ser, efetivamente, considerada uma alternativa à rede fixa. A Vodafone já disponibiliza, por exemplo, ofertas em 3G e 4G, complementares às comunicações fixas das empresas, para acesso a locais de trabalho de cariz temporário, tanto pela velocidade que já permitem atingir, como pela rapidez de instalação, que é praticamente instantânea», descreve a Vodafone, admitindo que, no ambiente doméstico, a 4G+ também possa revelar-se uma «alternativa complementar para soluções multiscreen» ou para acessos pontuais em casas de férias.

A 4G+ abrE caminho a velocidades que ainda são surpreendentes para a maioria dos consumidores, mas não chega para a Ericsson desfocar a atenção da vaga tecnológica prometida pela 5G, que apenas deverá ganhar forma depois de 2020. As previsões apontam para que, dentro de cinco anos, haja 9,2 mil milhões de acessos às redes móveis, que deverão consumir um tráfego 1000 vezes superior ao da atualidade, que será composto em 60% por vídeos.

Além da largura de banda que alguns especialistas admitem poder chegar aos 10 Gbps, a quinta geração das redes móveis vai distinguir-se por transportar grande parte do tráfego diário à escala global, assegurando alguns serviços que atualmente “correm” sobre as redes de fixas. As previsões da Ericsson apontam para uma redução de latência (tempo de espera das comunicações) em cinco vezes e para a necessidade de criar dispositivos móveis com uma autonomia energética 10 vezes superiores às da atualidade.

Joaquim Santos admite que 5G opere algures entre os 5GHz e os 10 GHz. Mas lembra que os reguladores nacionais e internacionais terão ainda uma palavra a dizer sobre as parcelas do espetro que vão ser usadas na nova geração das comunicações móveis: «Vão ser necessárias mais frequências, mesmo que as comunicações sejam mais eficientes. Não será possível lançar a 5G com as bandas de frequências de 20 MHz que cada operador usa atualmente para os serviços de 4G».

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