exameinformatica

Uma parceria EXPRESSO

Siga-nos nas redes

Perfil

Internet

Hoje é uma app de supermercado. Amanhã pode ser um wearable que reproduz o odor

Ir ao supermercado com uma app? Desde a segunda-feira que é possível com o Continente. Mas será que faz mesmo falta? Na Sonae, há quem preveja é apenas o início de uma pequena revolução.

  • 333

Hugo Séneca

Em Portugal, apenas 0,9% dos consumidores recorrem à Internet para fazer as encomendas no supermercado da sua conveniência. O número seria suficiente para demover qualquer marca de retalho de reforçar a aposta nas compras online, mas não foi suficiente para convencerem os responsáveis da Sonae a lançar uma app do Continente. Mas afinal para que serve uma app de supermercado no telemóvel? A resposta da Sonae é dada pela voz de Nuno Almeida, responsável pelo Comércio Eletrónico e Mobilidade da Sonae MC: «Uma coisa é comprar algo no computador do escritório; outra bem diferente é comprar uma coisa é comprar com o tablet no sofá ou com o telemóvel enquanto se viaja de comboio».

A app do Continente estreou a 19 de outubro com o propósito de fechar um primeiro ciclo no que toca ao comércio online. Além de filtros que facilitam a pesquisa por produtos preferidos, que têm descontos ou são abrangidos pelas promoções dos cartões de fidelização, a app distingue-se por permitir fazer compras em movimento.

A Sonae MC recorre à gíria do marketing para enquadrar a app do Continente numa estratégia «omnicanal». É esta mesma estratégia que permite que um consumidor atualize a qualquer hora e a partir do telemóvel uma encomenda que fez horas antes. Para quem compra trata-se de conveniência; para quem vende é fidelização. No final, o consumidor ganha uma nova ferramenta que permite fazer uma encomenda a qualquer e em qualquer lugar – e o supermercado garante que o utilizador o vai escolher em detrimento da concorrência. Só com este tipo de fidelização, o supermercado consegue compensar os custos de transporte das encomendas que são entregues «363 dias por ano até à cozinha das pessoas».

Nuno Almeida acredita que a nova app terá a capacidade de aumentar, «muito em breve», o número de portugueses que fazem compras no supermercado através da Internet. Até «porque o retalho dos dias de hoje é muito diferente daquele que havia há 20 anos e os hábitos dos consumidores também mudaram muito».

«Queremos ir atrás de um segmento que ainda não faz compras na Internet e também disponibilizar uma ferramenta nova para quem já compra através da Internet», explica o responsável da Sonae MC prefere não revelar o número de consumidores do Continente na Net.

A app pode ter iniciado uma nova frente de disputa comercial, mas não esgota todo o potencial da estratégia omnicanal. Nuno Almeida recorda que o retalho online é um negócio pouco maduro, que vai conhecer novas ferramentas e crescer exponencialmente nos tempos mais próximos. «Vemos com interesse as compras através da TV (com apps de televisores inteligentes), mas é uma opção que ainda tem grandes desafios concetuais… mas acreditamos nas vantagens da ubiquidade permitida pelos wearables, que vão permitir interagir com os fornecedores da maneira que se quiser».

O responsável da Sonae MC não acredita que o comércio online alguma vez consiga acabar com as lojas físicas. O que não impede a marca de retalho de trabalhar em torno de alguns fatores decisivos, que condicionam as escolhas dos consumidores.

«Há sensações como o tato e o odor que são determinantes. No caso do odor, sabe-se que é especialmente importante no processo de decisão do consumidor. São áreas que pretendemos investigar, mas que ainda estão longe de ter chegado à maturidade», conclui Nuno Almeida.

  • 333