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Metade dos streamings de futebol instala códigos maliciosos

Além dos tradicionais pop ups e anúncios que procedem à instalação de software malicioso, os sites de streamings piratas usam a instalação de extensões no browser para contagiar as máquinas dos aficionados da bola.

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Hugo Séneca

Por mês, há mais de oito milhões que se conectam a transmissões de futebol piratas na Internet. Um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Lovaina, Bélgica, revela que a atividade ilegal já tem um ecossistema montado: foram analisados mais de cinco mil sites, que lucram com a inserção de publicidade – e não menos importante, podem expandir os ganhos com os contágios dos aficionados do desporto-rei que não estão dispostos a pagar pelas transmissões legais.

Segundo os investigadores que levaram a cabo o estudo, metade dos sites que se dedicam ao streaming ilegal instala códigos maliciosos nos computadores dos internautas. Além dos tradicionais pop ups e anúncios que procedem à instalação de software malicioso, os investigadores da Universidade Belga confirmaram que a instalação de extensões que permitem aceder às transmissões a partir dos browsers também têm vindo a ser usadas para contagiar computadores.

Em declarações reproduzidas pela BBC, Zubair Rafique, um dos investigadores que participaram no estudo, revela como os cibercriminosos usam as transmissões piratas para chegar ao lucro: «Se uma pessoa instalar uma extensão para ver uma transmissão de futebol, e depois visitar um site como a BBC.com. essa extensão poderá, eventualmente, alterar os conteúdos apresentados em BBC.com para que possa passar a incluir links maliciosos».

O estudo, que foi publicado no Network and Distributed System Security Symposium, analisou a forma como o combate ao stream ilegal tem evoluído: atualmente, o mercado do streaming pirata está dividido entre sites agregadores de links que fazem as transmissões e serviços que disponibilizam livremente de forma ilegal esses links, mas que nem sempre são localizáveis.

Os investigadores belgas recordam que as autoridades têm conseguido bloquear os agregadores de streamings, mas as fontes das transmissões piratas migram rapidamente pela Internet e são difíceis de bloquear.

Os autores do novo estudo acreditam que as empresas responsáveis pelas transmissões legais poderiam reduzir a proliferação de transmissões piratas em direto, caso aplicassem mecanismos de controlo que permitem detetar “fugas” que estão na origem dos streamings ilegais. O estudo também fornece pistas de relevo no plano geográfico: 25% dos sites que fornecem os streamings piratas operam a partir do Belize (junto ao México); mais de 60% destes sites de streaming ilegal estão dispersos pelo Belize, Canadá, Holanda, Suécia e Suíça.

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