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O estranho caso do clone do Facebook que foi lançado na Coreia do Norte

Um dia depois de ser descoberta no Ocidente a rede social StarCon fechou, sem justificação oficial. Contas fictícias, uma sátira a Kim Jong-Un e três centenas de utilizadores de fora da Coreia do Norte terão precipitado o fim da rede social

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Hugo Séneca

StarCon e Facebook. Não têm nada a ver – tirando as semelhanças: feed de notícias, amigos, posts, likes e etc. Em tudo o resto são diferentes: Sedeado em Silicon Valley, o Facebook conseguiu juntar 1,65 mil milhões de utilizadores em 12 anos; o StarCon esteve alojado num endereço da Coreia do Norte, não há certezas quanto a quem o lançou e foi fechado um dia depois de ter sido descoberto fora da Coreia do Norte. Nessa altura, tinha várias contas fictícias – e uma delas assumia mesmo contornos de sátira ao líder Kim Jong-Un.

Doug Madory, investigador da empresa Dyn que terá sido a primeira pessoa a reivindicar a descoberta, lembra que são muito escassos os sites alojados naquele país asiático que vive num dos regimes políticos mais opressores de que há memória. Sem poder confirmar a autoria ou os propósitos por via oficial, Madory admite que a incipiente rede social possa ser um projeto futuro do operador de telecomunicações local.

Uma coisa é certa: a StarCon ainda não estava preparada para o primeiro dia do resto a sua vida. E por isso passou logo para o último, sem razão lógica aparente (a BBC refere que a rede social foi alvo de ação de hackers).

No único dia em que teve direito a reconhecimento público, por entre contas fictícias com textos sem significado e que apenas ocupavam espaço, foi possível descobrir cerca de 300 contas de internautas não-norte-coreanos que se apressaram a tentar conhecer aquele clone de Facebook. A avaliar pelos textos publicados, alguns dos utilizadores terão mesmo acreditado que a StarCon poderia revelar-se o caminho mais direto para comunicar com Kim Jong-Un. Mas Doug Madory admite que a fugaz existência da StarCon tenha passado despercebida ao povo norte-coreano.: «Tenho a certeza de que nenhum norte-coreano alguma vez usou aquela rede social, apesar de estar alojada na Coreia do Norte», refere o especialista citado pela BBC.

O final da StarCon revelou-se quase tão misterioso quanto a breve passagem da StarCon pela Internet: depois do “hack” que ainda não foi reivindicado, os visitantes do endereço passaram a ser encaminhados para um vídeo do YouTube. Mais tarde, o endereço deixou simplesmente de operar.

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