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Aprenda a proteger os mais novos dos perigos da Internet

Neste artigo apresentamos várias técnicas de controlo parental para restringir o acesso a conteúdos nocivos

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Christopher Furlong

São dicas e soluções que podem ajudar – e muito – os responsáveis pelos mais jovens porque é praticamente impossível acompanhar as crianças em todos os momentos em que estas acedem à Internet. Na verdade, longe vão os tempos em que este acesso era apenas feito via o computador lá de casa. Hoje em dia, boa parte das crianças já tem smartphones e tablets e há computadores um pouco por todo o lado. Na verdade, por mais que controle os PCs de casa, não se esqueça que há computadores na escola, na casa dos amigos e que os colegas partilham dispositivos… Mas, também por isto, os sistemas de controlo devem ser vistos apenas como uma ferramenta auxiliar. É que se é verdade que não pode estar sempre junto dos seus filhos, também é verdade que não vai conseguir controlar todos os dispositivos de acesso à Internet do mundo. E, como diz o provérbio, “o fruto proibido é o mais apetecido”. Uma regra que é especialmente válida para os adolescentes. A melhor forma de evitar que os mais jovens fiquem expostos aos riscos passa pela verdadeira educação. Do mesmo modo que ensina as crianças a atravessar a rua em segurança ou a não aceitar prendas de estranhos, também deve sensibilizá-los para os riscos associados à utilização da Internet. Mas, por melhor que seja o comportamento dos jovens, há muitos perigos que podem surgir mesmo sem serem solicitados, situações que podem ser evitadas com as técnicas que vamos explicar.

Controlo parental no Windows

As versões mais recentes do Windows têm um sistema de controlo parental bastante completo, que até tem a vantagem de poder ser gerido remotamente através da conta Microsoft. Há, inclusivamente, o conceito de família, o que permite uma gestão centralizada, não só dos computadores com Windows, mas também da Xbox e dos smarpthones que corram o sistema operativo da Microsoft. Para tirar o máximo partido deste sistema, deve começar por garantir que, enquanto Administrador, está a usar uma conta Microsoft e não uma conta local. Se necessário, aproveite para criar uma conta deste tipo.

Claro que toda esta gestão só é válida se a criança ou jovem não tiverem acesso à conta de Administrador ou a outras contas com autorizações distintas. Ou seja, garante que a sua conta de administração tem uma palavra-chave e que esta não cai nas mãos dos utilizadores que pretende controlar.

Crie a conta para a criança

Se ainda não tem contas dedicadas para as crianças, este deve ser o primeiro passo. Clique no botão Iniciar > Definições > Contas. No menu da esquerda escolha Família e outros utilizadores e clique sobre a opção Adicionar um membro da família. Escolha a opção Adicionar um menor e introduza o respetivo endereço de e-mail. Se este ainda não existe, escolha A pessoa que pretendo adicionar não tem um endereço de e-mail e siga os passos indicados para criar a conta. Depois de adicionar o utilizador, clique em Permitir para que o menor possa usar o computador. A partir de agora já pode Gerir definições de família online através da página https://account.microsoft.com/family. Nesta página clique na conta que quer gerir. As opções são muitas. À esquerda, pode escolher Atividade recente e controlar a Navegação na Web. Nesta opção, é possível Bloquear websites inapropriados. Mas atenção, os relatórios sobre a navegação web e o bloqueio dos sites só são válidos para os browsers da Microsoft (Edge e Internet Explorer), o que significa que deve bloquear a utilização de outros browsers que estejam instalados, o que pode fazer em Atividade recente e, na zona da direita, na área Aplicações e jogos. Se tiver problemas em usar este processo, pode sempre desinstalar os browsers não controláveis no computador usado pelo menor.

Uma das ferramentas mais interessantes é a programação dos dias e horas de utilização, disponível no menu Tempo passado em frente ao ecrã. Não só podemos definir os intervalos autorizados, como também podemos limitar as horas em frente ao ecrã. Por exemplo, podemos dizer que a utilização do computador está autorizado desde as 8:00 às 21:00, mas que essa utilização não pode ultrapassar as duas horas. Este é um bom sistema porque dá alguma liberdade ao menor garantido, em simultâneo, que este não passa demasiado tempo em frente dos ecrãs.

Aproveite para explorar as opções de Compras e gastos, para impedir compras na loja virtual do Windows, e não esqueça também de manter os jogos sob controlo.

Ainda uso o Windows 7

O Windows 7 também inclui ferramentas de controlo parental, que permitem definir praticamente todos os parâmetros referidos para o Windows 8.1 e 10, com uma importante exceção: não tem filtros para endereços Web. Siga os passos: Iniciar > Painel de Controlo e, em Contas de Utilizador e Segurança Familiar, clique em Configurar restrições de acesso para qualquer utilizador (poderá ter de introduzir aa palavra-passe de administrador). Clique na conta de utilizador padrão para a qual pretende definir Restrições de Acesso. Se a conta de utilizador padrão ainda não estiver configurada, clique em Criar uma nova conta de utilizador (escolha uma conta sem privilégios de administração). Em Restrições de Acesso, clique em Ativado, impor definições atuais. Agora já pode definir: Limites de tempo (quando a criança pode usar o PC); os tipos de Jogos que podem ser executados de acordo com a classificação etária; e quais os programas permitidos em Permitir ou bloquear programas específicos.

Mas para um controlo mais apurado, recomendamos que instale o Segurança Familiar, uma das ferramentas do Windows Live, que pode descarregar gratuitamente em windows.microsoft.com/pt-pt/windows/essentials. Depois de instalado, só tem de seguir os passos apresentados para escolher qual a conta que quer controlar. Uma das vantagens deste programa é que permite a gestão remota através da conta Microsoft, em https://account.microsoft.com/family. Ou seja, passa a ter um controlo parental no Windows 7 idêntico ao utilizado nos Windows 8.1 e 10.

Controlo parental nos dispositivos móveis

Os smartphones e tablets são, cada vez mais, a porta de entrada mais utilizada para aceder à Internet. E nestes dipositivos, o Android é rei e senhor. Este sistema inclui ferramentas de controlo restrição de apps e conteúdos, mas… apenas nos tablets. Por enquanto o único controlo que pode ser feito tanto em tablets como em smartphones é ao nível do acesso ao Google Play, informação que está disponível em Português na página https://support.google.com/googleplay/answer/1075738.

Esta funcionalidade é insuficiente para um controlo apurado das atividades dos utilizadores mais jovens. Felizmente, existem muitas apps dedicadas ao controlo parental. A parte negativa é que não é fácil “separar o trigo do joio”… Se não fosse a nossa ajuda. Experimentámos várias apps, entre muito populares e pouco populares. Algumas não transmitem confiança (acedem a dados desnecessários), outras são pouco funcionais e há também boas apps em termos de funcionalidade, mas que revelaram problemas de compatibilidade. A nossa escolha recaiu no Norton Family (onlinefamily.norton.com), que tem a vantagem adicional de ser multiplataforma (Android, iOS e Windows). Ou seja, até pode apenas usar esta aplicação para controlar todos os seus dispositivos, desde smartphones a PCs. E o melhor é que, apesar de existir uma versão paga com mais funcionalidades (€39,99/ano), a versão grátis inclui o que mais importa, com destaque para supervisão da navegação na Web, redes sociais, pesquisa e proteção das informações pessoais. Naturalmente, tem de criar uma conta no serviço.

Instale o Norton Family em todas as máquinas…

…Incluindo a sua. Aliás, é no seu smartphone, PC ou online que vai configurar os privilégios do menor, bem como aceder aos relatórios do que se passa. Felizmente, tudo é muito simples porque o Norton Family já vem pré-configurado de modo a adequar-se à maioria das necessidades. Depois de instalado, recomendamos que faça a configuração através do site (family.norton.com), clicando em Regras de casa. Em Web pode bloquear os sites de acordo com o tipo de conteúdos. À partida, a pré-seleção feita é adequada à idade do utilizador. Em Aplicação pode bloquear as apps que estão instaladas no dispositivo e Social permite gerir as redes sociais.

Filtrar todos os acessos

Os servidores DNS (Domain Name Server) são fundamentais para a facilidade de utilização da Internet. São estes serviços que transformam os endereços que utilizamos nos browsers, como www.exameinformatica.pt, em endereços IP (as “matrículas” de cada servidor na Internet). Ou seja, se não fossem os DNS teríamos de decorar números enormes para aceder aos nossos sites favoritos. E porque é que isto pode ser importante para o controlo parental? Porque todos os endereços que digitamos passam, pela razão indicada, pelo servidor DNS que está configurado na nossa rede – em regra são usados dois, o primário e o secundário, por razões de redundância. O que significa que esse servidor pode funcionar como filtro, bloqueando o acesso a determinadas páginas Web – por exemplo, sites referenciados como de teor pornográfico.

De raiz, os routers que usamos em casa utilizam os DNS dos operadores, mas em alguns aparelhos é possível alterá-los facilmente. Mesmo que não o consiga – no caso dos routers dos operadores esta opção pode estar bloqueada –, é sempre possível alterar os DNS nos próprios computadores. Claro que depois tem de garantir que os “espertalhões” não voltem a alterar o DNS, o que significa que os utilizadores controlados não devem ter privilégios de administração dos sistemas, assunto que explicaremos mais à frente.

Para impedir o acesso a páginas Web perigosas recomendamos que recorra ao OpenDNS, um DNS alternativo da da Cisco, a maior empresa de redes do mundo. Este serviço disponibiliza a funcionalidade Home Internet Security (www.opendns.com/home-internet-security/), que permite um controlo apurado dos endereços Web a visitar. A versão mais elementar, o OpenDNS Family Shield, é também o mais fácil de utilizar. Todos os sistemas configurados para usar os endereços associados a este serviço (208.67.222.123 e 208.67.220.123, como indicado em https://store.opendns.com/setup/#/familyshield) ficam automaticamente impedidos de aceder a páginas referenciadas como contendo conteúdos pornográficos ou Phishing (“armadilhas” para obter informações pessoais dos utilizadores, como números de cartões de crédito e palavras-chave). Este serviço é gratuito, assim como é o OpenDNS Home (https://store.opendns.com/get/home-free), uma ferramenta mais completa porque permite aos utilizadores personalizarem os filtros de acesso. Para o efeito é necessário criar uma conta grátis na página indicada, que depois é usada para configurar os filtros pretendidos.

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