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Dicas para ter sucesso no Tinder (não aceitamos reclamações)

O que faz um solteiro em pleno dia de São Valentim? Resposta: faz swipe para a direita e espera que o Tinder cumpra aquilo para que foi feito. O processo não é infalível, mas até geeks e nerds já conseguiram arranjar namoros assim

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O telefone não toca. Não há SMS salvador de última hora. Nem messenger. No Facebook ninguém lança um post sugestivo. No Instagram, nada de novo. E no Snapchat, talvez não seja o sítio mais indicado. Em contrapartida, no Tinder, não há que enganar – as coisas são como são. E quem procura o Tinder pode não estar disposto a tudo, mas seguramente estará disposto a alguma coisa – caso contrário não estaria no Tinder. Óbvio? Nem por isso: porque nestas coisas entre homens e mulheres as coisas óbvias podem dar algum trabalho a parecerem menos óbvias e mais especiais. E é por isso que há algumas pessoas que se saem melhor que outras. Pelo menos, é o que dizem as “más línguas” que têm dourado a fama de alguns reis e rainhas do Tinder.

Hoje, dia de São Valentim, a data importada do mundo anglófono que tem vindo a disputar com o 13 de junho do Santo António a primazia das efemérides enamoradas, aproveitamos para deixar algumas dicas rebuscadas dos melhores manuais pesquisáveis na Internet, que eventualmente também já rebuscaram as melhores dicas para o Tinder de outros melhores manuais da Internet (ok, estas dicas não são perfeitas, mas quem usa o Tinder já sabe que o mundo não é perfeito). Sim, nada garante que estas técnicas funcionam – e essa é também uma razão acrescida para aplicar uma das regras mais antigas do mundo: se não tentar, seguramente que não vai conseguir nada. Mas se vai tentar fazer alguma coisa, então… aposte nos domingos à noite. Segundo os responsáveis do Tinder é o período em que há maior número de utilizadores a navegar na app. Os responsáveis do Tinder também garantem que os Superlikes têm maior probabilidade de sucesso - mas essa também pode se ruma forma de incitar ao uso das modalidades pagas - e não vamos falar aqui de dinheiro. Só de amor e derivados.

E agora segue-se o eventualmente ambicionado guia do enamoramento:

1- Chocolates. Flores. Poemas. Isso é demasiado século 20. E o Tinder é século 21. Por isso não se esqueça: a foto é o primeiro abre-latas do coração (ou trojan, para os mais geeks). Toda a gente procura a beleza interior, sim, mas no Tinder o primeiro tipo de beleza que se vê é o exterior – não há volta a dar (além de que nem toda a gente valoriza da mesma forma a beleza exterior e a beleza interior). Escolha uma foto como deve ser ok? E não, a foto que a sua mãe gosta mais poderá ser mesmo um… fiasco quando usada numa rede social. Dicas vindas de uma especialista (não esquecer que, geralmente, elas percebem mais do assunto e que há mais homens que mulheres no Tinder, logo são elas que “rulam” nas relações, pelo menos, nas heterossexuais): evite fotos com cores neutras e fotos que não correspondem à verdade ou estão demasiado datadas porque… essas, sim, vão revelar, mais tarde ou mais cedo, falta de beleza exterior… e interior. Outra dica: homens carecas, deixem lá o chapéu para outra ocasião; se a ideia é ter um encontro, mais vale mostrar logo a careca. Tendo em conta que a app tem alguns pontos em comum com uma análise de mercadoria, nunca esquecer: poucas fotos dão a entender que alguém quer esconder algo, é desleixado ou acredita que vai seduzir outra pessoa pelo mistério (é possível, mas é mais difícil também), ou já arranjou alguém e não atualiza o Tinder. Polvilhe o perfil de selfies e fotos sugestivas (fotos com grupos de amigos são encaradas como um selo de garantia em termos de sociabilidade). Demasiadas selfies poderão indiciar narcisismo.

2- Ah a beleza interior… tanto que havia para dizer. Até aquela anedota sobre… Bom, não é o momento e nem o local, pelo que continuemos com a beleza interior no sentido mais literal: o Tinder pode caracterizar-se pelo desprendimento, mas convém não subestimar a tal… beleza interior. Sim, convém dourar um pouco a pílula (sim, a pílula). E como é que se faz isso? Com um grande poder de síntese: a biografia apenas permite 500 carateres. Mais de 95% das mulheres que usam o Tinder leem as “bios”; os homens provavelmente continuam a preferir “ler” fotografias, mas é possível que alguns tentem saber um pouco mais sobre as pessoas que mais os atraem na app dos encontros – mais que não seja para saberem como hão de meter conversa. Pelo que talvez seja boa ideia tentar puxar pelas coisas mais interessantes e colocar em plano secundário as mais desinteressantes. Do tipo: para a maioria das pessoas será mais interessante falar de uma viagem aos Andes ou do prémio ganho no primeiro concurso de artes circenses de Alfornelos, do que falar da má experiência com o conselheiro matrimonial num dos três divórcios que tem no currículo, ou das sessões terapêuticas que tem vindo a frequentar para acabar com as crises de ansiedade. Sim, as últimas até podem ser mais honestas – mas dê tempo e espaço para a honestidade crescer, ok? Não se esqueça de uma coisa: é a “bio” que o/a vai posicionar perante a vida – no fundo vai colocá-lo(a) num determinado segmento. Se conseguir relacionar as imagens com o currículo… chegou a um dos pináculos do posicionamento dentro do Tinder.

3-Ela ou ele achou piada ao seu perfil (há gostos para tudo!) e há correspondência de swipes. E agora? Não, não vai logo concluir que há alguém desertinho para a brincadeira já no quarto de hora seguinte (se bem que pode estar…). E não, também não deve concluir logo que é o/a melhor amigo/a da sua vida, pelo que talvez não seja o momento mais indicado para explicar as chatices que tem tido com o vizinho do 3º direito e o respetivo cão que lhe urina todos os dias a porta de casa. A ideia é dizer alguma coisa engraçada. E sim, há técnicas bem conhecidas que têm maior potencial de sucesso – e que também se aprendem com os mestres, e que só devem ser confessadas que foram aprendidas ou treinadas no momento certo. E isto porque tão ou mais importante que a “boca” que se manda é a genuinidade do que se diz. Ousadia, inteligência, sensibilidade, criatividade e respeito mútuo têm de ser servidos na hora com quantidades q.b., caso contrário a função de “quebra-gelos” mais parece um picador de gelos nas mãos de alguém desesperado por… vocês sabem do que estou a falar.

4-A ideia é a leveza e o descomprometimento. Na vida, só há duas coisas garantidas: os impostos (para quem trabalha) e uma nega de alguém (ele há pessoas com mau gosto, é verdade). O Tinder pouco ou nada pode fazer quanto à primeira, mas quanto à segunda é um ver se te avias. Não ser correspondido não é drama. Faz parte da coisa. E não, não vale a pena pensar no assunto. E não, não adianta ficar de coração despedaçado se alguém não responder; e sim, há formas de não deixar cair uma conversa, mas convém não exagerar e muito menos superar os limites do bom senso, quando há que contar uma piada. Nunca esquecer que melhor que engraçadinho é ter graça; melhor que transgredir as normas é deixar implícita a transgressão; seja tolerante à diferença e deixe os manifestos e a propaganda para outras ocasiões; lembre-se também que, por vezes, as mensagens escritas se prestam a interpretações erradas. Os GIFS ajudam a desencadear sorrisos quando nada há de novo para dizer, mas não chegam; as piadas também; as perguntas de índole pessoal põem as pessoas a falar (mas têm de fazer sentido e não podem ser demasiado indiscretas, a menos que seja esse o tom da conversa, ok?); os temas da atualidade têm dias; falar de futebol e a informática… talvez seja melhor deixar isso para um dia, em que terão de fazer realmente revelações importantes sobre o passado. Política e religião: só se tiver mesmo de ser. Do género: Alguém é presidente da câmara de Alguidares de Baixo e pertence a uma minoria religiosa que celebra o amor apenas a 29 de fevereiro.

5-Acha mesmo que é a única pessoa com quem a sua potencial cara-metade anda swipar no Tinder? E no Pai Natal acredita? Então, prepare-se para a crua e injusta realidade: do mesmo modo que tem vindo a manter conversações com sete ou oito potenciais “vítimas”, cada uma das suas potenciais “vítimas” poderá andar a manter conversações com outras sete ou oito ou mais “vítimas” e por aí em diante. Tendo em conta as maiores cidades do País não são assim tão grandes quanto parecem, não será assim tão improvável que estas interconexões acabem por revelar conhecimentos em comum – e nada garante que um dos perfis vive mesmo a 30 metros de distância – e os mais tímidos (ou os mais namoradeiros) deverão ter isso em conta. Mas esse é o menor dos males. O mais importante é não esquecer: tem de saber com quem está a falar; gira com parcimónia as conversas com os diferentes alvos de atração; não há mal gostar de imitar os outros ou de usar o copy/paste, mas faça-o de forma assumida, sem pretensões e muito menos vergonha; tenha em conta a localização – é um fator determinante… a menos que tenha um budget chorudo para portagens, gasóleo, bilhetes de comboio, autocarro ou avião. De resto, não se esqueça da seguinte regra deixada pelo sexólogo Quintino Aires à Exame Informática: não deixe que a relação virtual se estenda indefinidamente, caso contrário essa relação vai sobrepor-se à relação real.

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