exameinformatica

Uma parceria VISÃO

Siga-nos nas redes

Perfil

Internet

Formação de moderadores de conteúdos no Facebook: mamilos não, violência e ódio depende

CHRISTOPHE SIMON / Getty Images

Um documentário britânico mostrou o que se passa em centros de formação onde se ensina aos moderadores da rede social os conteúdos que devem ser eliminados ou não

  • 333
Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Um jornalista do Channel 4, um canal televisivo britânico, realizou uma reportagem em que foi, sob anonimato, fazer uma formação para moderadores de conteúdos no Facebook. O repórter tinha o objetivo de compreender quais os critérios que regem a rede social para lidar com material polémico, como racismo e abuso de menores. As conclusões surpreenderam e a sessão foi registada com imagens de câmara oculta, dando origem ao documentário “Inside Facebook: Secrets of the Social Network” (“Por Dentro do Facebook: Segredos da Rede Social”, em tradução livre).

A empresa responsável por esta formação foi a CPL Resources, que opera em Dublin e trabalha para a Facebook em regime de outsourcing na moderação de conteúdos, revela o Business Insider. Nestas sessões, eram mostrados diversos tipos de conteúdos aos formandos, a que se seguiam as indicações de apagar, ignorar ou marcar como incómodo (em que permanece no Facebook, mas com restrições).

Vamos a exemplos práticos: imagens de mulheres em topless – apagar, aplica-se a mulheres adultas com os mamilos à mostra; mortes violentas – incómodo, não necessariamente para apagar porque podem servir para despertar consciência para algum assunto; padrasto a bater em criança – incómodo, não apagar nem ignorar; homem a comer rato bebé vivo – ignorar, por ter alegados fins de alimentação não viola a política de crueldade para com os animais; duas raparigas a lutar – incómodo, não retirar porque o título refere que é contra o bullying; discursos racistas ou xenófobos – depende, só conteúdos explícitos entram na categoria de discurso de ódio.

Além disso, estes moderadores não têm capacidade para apagar conteúdos de páginas com muitos seguidores, pois essa tarefa fica apenas à responsabilidade de funcionários diretos do Facebook.

Saliente-se que a Facebook já reagiu oficialmente, declarando que esta formação não cumpria os standards exigidos pela empresa e que não estava de acordo as políticas e valores da rede social. A companhia reviu igualmente os materiais fornecidos a estes centros de formação.

  • 333