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Springkode: o site que vende roupa feita nas mesmas fábricas das grandes marcas

Reinaldo Moreira e Francisco Pimentel, dois dos sócios da SpringKode

O Springkode nasceu para criar um novo canal de venda para fábricas têxteis que costumam trabalhar com a Armani, Burberry e outras marcas bem cotadas. Naquele site, vende-se roupa que não se encontra em mais lado nenhum

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Mais tarde ou mais cedo, alguém receberá umas meias no Natal. E no caso de Reinaldo Moreira faz quase um ano que a epifania natalícia se confirmou, pelas mãos da sogra. Mas com uma diferença face ao que é a tradição. Aquelas meias eram mesmo confortáveis. O que o levou a procurar saber onde poderia comprar mais. Descobriu que as meias tinham sido compradas numa fábrica portuguesa e logo tratou de encontrar mais. Podia ser o final feliz para um dos muitos desafios banais do quotidiano, mas como Reinaldo veio a compreender pouco depois, o verdadeiro presente veio com as meias, mas não era as meias. Confuso? Reinaldo Moreira explica: «Quando tentei comprar mais meias, reparei que qualquer pessoa que quisesse comprar meias com esta qualidade teria de se deslocar a fábricas Barcelos ou Famalicão». Estava dado o mote para o desenvolvimento de um site que vende roupa produzida por fábricas portuguesas que também trabalham para marcas como a Armani e Burberry. Em agosto, aquando da estreia, já havia um nome escolhido: Springkode.a.

Rui Correia

Entre o verão e a atualidade, a Springkode registou um total de 10 mil visitantes únicos. O número não chega para arregalar os olhos das maiores cadeias comerciais, mas permitiu confirmar a viabilidade de um site apostado em vender roupa confecionada em três fábricas que costumam trabalhar para as marcas de luxo internacionais. Além de Portugal, o site já vendeu peças de roupa para Espanha e França. Reinaldo Moreira não está sozinho: Francisco Pimentel e Miguel Pinto são os sócios que aderiram ao projeto.

«Queremos fechar 2019 com 10 empresas de confeção (como fornecedoras). E queremos passar a ter oferta para homem e mulher. Se não tivermos massa crítica estaremos sempre aquém das tendências do mercado», explica Reinaldo Moreira.

Lagrofa, TMR e Tiva são as confeções que aderiram ao site Springkode. A parceria tem por base a partilha de ganhos, com uma lógica que até os leigos compreendem: «Se vendermos, ganham as duas partes; se não vendermos, ninguém ganha», explica Reinaldo Moreira, preferindo não fornecer detalhes sobre a partilha de lucros.

Para conseguir angariar os primeiros fornecedores, a Springkode teve de garantir a partilha de algumas ferramentas que agilizam encomendas e a entrega de produtos. Cada reserva feita por um consumidor desencadeia automaticamente um alerta por SMS e/ou e-mail para um dos responsáveis das fábricas que tratam da expedição do produto através dos serviços de entregas comerciais. «Para estas fábricas, o comércio junto do público é uma realidade nova», recorda Reinaldo Moreira.

Diogo Azevedo

O líder da Springkode recorda que as confeções têm muitas características típicas das maiores marcas de roupa, e nalguns casos superam mesmo as empresas que as costumam contratar, mas também têm lacunas – que podem ser colmatadas por sites como o Springkode. «As marcas de fábrica analisam tendências de mercado, desenvolvem materiais (usados nas peças de roupa), desenham e fazem controlo de qualidade. Têm tudo isto integrado – só não têm uma marca que o mercado reconheça».

O mercado nacional é a prioridade da nova marca, mas Reinaldo Moreira acredita poder vir a juntar no Springkode fabricantes de outros países. A diversificação é outra das opções em carteira: «Não queremos ficar limitados às confeções. Também acreditamos que podemos aplicar este conceito à bijuteria, aos acessórios ou ao calçado», conclui Reinaldo Moreira

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