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Alex Stamos diz que a hierarquia empresarial da Facebook funciona numa lógica igual à Guerra dos Tronos

Alex Stamos no foque.

Win McNamee

O ex-chefe de segurança da Facebook contou em entrevista à CNN que a competição nos escalões mais elevados da empresa conseguem atingir níveis de insanidade. Desde intrigas internas a traições entre colegas, o ambiente pode ser corrosivo.

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Francisco Garcia

Alex Stamos, antigo chefe de segurança da Facebook, falou sobre a cultura empresarial da empresa de Silicon Valley durante uma entrevista à CNN, confessando que o período em que lá trabalhou (de 2015 a 2018) o fez lembrar do enredo da famosa série Guerra dos Tronos. Embora rebuscada, esta comparação transporta-nos para uma realidade alternativa que só quem trabalha, ou trabalhou, para a Facebook pode comprovar.

«A verdade é que a empresa tem um pouco da cultura da Guerra dos Tronos, entre aqueles que ocupam os lugares na administração», disse Stamos, referindo-se à mentalidade inflexível e implacável atitude dos seus antigos superiores. «Um dos problemas de manter as mesmas pessoas durante muito tempo nas mesmas posições administrativas, é elas nunca admitirem que têm culpa quando cometem um erro», salientou.

Durante o período que trabalhou na sede empresarial da rede social, Stamos recordou um episódio no qual teve uma escaramuça com Sheryl Sandberg, a COO (Chief Operating Oficer) da Facebook. O confronto deu-se pelo facto de Stamos ter dado conhecimento das operações de intervenção da inteligência russa na rede social aos quadros superiores, sem ter dado primeiro conhecimento a Sheryl Sandberg.

Depois da rede social, Stamos dedicou-se à vida académica, trabalhando atualmente para a Universidade de Stanford.

Em novembro de 2018, um antigo colaborador anónimo da Facebook descreveu a empresa ao New York Times de forma semelhante dizendo que: «abaixo de mim era ‘suave’, acima de mim era tal e qual a Guerra dos Tronos. Não se pode chegar ao topo em Silicon Valley quando a Sheryl (Sandberg) já chegou por ser ‘boa pessoa’.» – há uma forte probabilidade que o testemunho dado ao New York Times seja também de Stamos, dadas as óbvias semelhanças discursivas e pela forma como descreve a experiência de trabalhar com a administração da empresa.

Stamos atribuiu ainda responsabilidade a Mark Zuckerberg, CEO da Facebook, afirmando que «no fim de contas, a verdadeira raiz do problema não estava em Sheryl. A Facebook não estava a medir o impacto que pode ter na vida das pessoas quando usado de forma perversa. A responsabilidade deve ser atribuída, em especial, ao Mark (Zuckerberg)».