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Kremlin admite que hackers americanos tenham atacado redes elétricas russas

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«Se há alguém que assume que algumas agências governamentais fizeram isto sem informar o respetivo chefe de estado, então é claro que isso pode ser um indicador de que a ciberguerra contra a Rússia pode tornar-se uma possibilidade hipotética», reiterou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin

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Desta vez a acusação é apresentada no sentido inverso: Dmitry Peskov, porta-voz do governo russo, admitiu como «hipoteticamente possível» as notícias que dão conta de que hackers ao serviços dos EUA conseguiram infiltrar-se nas redes elétricas russas com o propósito de disseminar códigos maliciosos. No Kremlin, há quem admita que as intrusões possam vir a abrir caminho a uma escalada rumo à ciberguerra, apesar de ser reiterada a confiança nos sistemas de segurança das redes nacionais.

«Se há alguém que assume que algumas agências governamentais fizeram isto sem informar o respetivo chefe de estado, então é claro que isso pode ser um indicador de que a ciberguerra contra a Rússia pode tornar-se uma possibilidade hipotética», reiterou Dmitry Peskov, citado pela BBC.

A notícia surgiu este sábado no New York Times: segundo várias fontes não identificadas, desde 2012, que “cibersoldados” americanos têm vindo a instalar sondas digitais em várias redes cruciais russas. Inicialmente, essas sondas tinham como objetivo analisar tráfego e fazer o mapeamento das diferentes redes, mas nos últimos tempos o modo de atuação terá mudado e as forças americanas terão passado a “artilhar” os diferentes métodos de intrusão com o propósito de demonstração de força e capacidade face às autoridades russas e também com o objetivo estratégico de poder criar danos no caso de se registar um ciberconflito entre as duas superpotências.

O governo americano ainda não confirmou ou desmentiu a existência de uma estratégia de ataque contra “alvos digitais” russos. Segundo o New York Times, Donald Trump, presidente dos EUA, não terá sido alertado para as ciberoperações levadas a cabo na Rússia. E é esse o motivo que leva a Peskov a apontar uma eventual descoordenação política nos EUA que poderá redundar num eventual crescendo de um ciberconflito.

Apesar da relativa discrição, são vários os sinais que demonstram uma alegada intenção de os EUA em mostrar à Rússia o poderio tecnológico atual. Na origem dessa estratégia mais agressiva estarão as alegadas interferências que os russos terão desencadeado durante os processos eleitorais mais recentes dos EUA.

Numa conferência recente, John R. Bolton, o Conselheiro de Trump para a segurança nacional, proferiu as seguintes palavras: «Achamos que a reação no ciberespaço às interferências nos processos eleitorais (americanos) era a nossa principal prioridade no ano passado, e é isso em que estamos focados. Mas estamos ainda a criar a abertura, e a alargar as áreas em que estamos preparados para atuar».

Esta não foi a única frase elucidativa das potenciais intenções americanas no que toca às ciberoperações na Rússia. Bold chegou mesmo a dirigir-se em público aos ciberinimigos que têm atacado os EUA, como refere New York Times: «Vamos gerar danos em vocês, até ficarem a perceber bem a mensagem». Numa frase mais contundente, o Conselheiro de Segurança Nacional do presidente dos EUA aponta o dedo ao Kremlin, lembrando que «a Rússia ou quem quer que lance ciberoperações contra nós: “vocês vão pagar o preço por isso”».

Além de reiterar a confiança na segurança das principais redes russas, Dmitry Peskov também confirma que, na Internet, os ciberataques são rotineiros: «Temos dito várias vezes que as nossas agências mais relevantes estão constantemente a lutar contra ele (hackers) a fim de garantir que estes ataques não infligem qualquer dano na nossa economia e áreas mais sensíveis».

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