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Facebook: «Não escolhemos nem apoiamos os que têm poder contra quem não tem»

Identidade dos financiadores, propaganda devidamente sinalizada, e combate às Fake News. Os responsáveis da Facebook já começaram a preparar o período eleitoral que se avizinha. Sean Evins, responsável da maior das redes sociais, conta o que está a ser feito

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Sean Evins, Gestor de Divulgação Política e Governação da Facebook, veio a Portugal explicar o que a maior das redes sociais está a fazer para evitar abusos durante o período de propaganda das eleições legislativas de outubro.

A Facebook tem sido contactada por partidos e políticos que pretendem ter maior eficácia nas campanhas políticas?

Claro que durante os períodos eleitorais é normal haver várias conversações com partidos e pessoas que querem usar a Facebook numa lógica de comunidade, e há vários debates sobre várias questões. Sim, recebemos montes de questões e temos vários recursos para gestores de campanhas, ou alguém que analisa campanhas, ou simplesmente tem interesse em política. Basta ir ver a Facebook.com/GPA para descobrir diferentes recursos que ajudam a perceber como é que se pode usar o Facebook como deve ser, boas práticas, novas ferramentas, e coisas que vamos fazer para manter a integridade das eleições.

Mas os partidos não tentam descobrir formas de serem mais eficazes?

Quando lidamos com partidos, a maior parte do tempo estamos focados em informação que os ajuda a manterem-se seguros online, tentamos que compreendam que nos períodos que precedem as eleições podem transformar-se em alvos para intervenientes mal-intencionados, que poderão tentar assumir o controlo de diferentes contas das redes sociais. Queremos garantir que esses partidos se mantêm seguros, e damos a conhecer recursos que disponibilizamos ao público, e como é que as ferramentas usadas no âmbito político já foram usadas no passado.

Há alguma mudança de algoritmo do Facebook ou do Instagram durante os períodos eleitorais dos diferentes países?

Não. Não queremos ser os árbitros da verdade, e não queremos fazer a edição por antecipação do período eleitoral. O algoritmo, haja ou não eleição, mantém-se inalterado. Nalguns casos, os ciclos eleitorais são muito curtos e não podemos estar neste negócio e depois alterar algoritmos por causa das eleições. Estamos focados na integridade e na segurança das eleições e estamos apostados em minimizar as ações de intervenientes mal intencionados e contas e notícias falsificadas.

Que padrões e tendências podem ser usados para detetar ou identificar intervenientes mal-intencionados?

Há vários… muitos desses intervenientes que tentam lançar o debate e exercer influência com o objetivo de alterar os resultados das eleições, muitas vezes são bem financiados, e já dominam bem essas ferramentas e produtos. Para nós, trata-se de estar sempre um passo à frente e tentar perceber estar à frente desses intervenientes através de machine learning e Inteligência Artificial, porque é a forma mais fácil de detetar este tipo de ameaças. A transparência ajuda a comunidade a ver quem anda a fazer o quê e também a denunciar coisas consideradas suspeitas. Além disso temos também o nosso processo para admissão de campanhas. Quem quiser gastar dinheiro numas eleições tem de passar por um processo rigoroso… que consideramos que é o mais apropriado. Com isso, passamos a ter um arquivo completo de campanhas que permite ver onde é que as pessoas andam a gastar dinheiro antes das eleições.

As regras do Facebook e do Instagram são iguais para democracias como em países onde não há democracia, ou vivem numa democracia limitada?

A Facebook opera na maioria dos países – apesar de não operar em todos. Não mudamos a natureza da plataforma do Facebook com base no nível de democracia de um país. Mas não haja dúvidas de que permitimos um rebate robusto e dinâmico na nossa plataforma. As regras que são aplicadas à nossa comunidade são algo que levamos mesmo muito a sério. É algo que levamos mesmo muito a sério. Também levamos muito a sério os esforços em torno na segurança e na integridade, quer se trate de algo local, nacional ou mais de um país… é algo que aplicamos no mundo inteiro.

No passado, as denominadas primaveras árabes também começaram no Facebook e redes sociais… será que é algo que a Facebook não quer que se repita?

É importante focarmo-nos no que o Facebook permite que as pessoas possam fazer; é bom que tenham um senso de comunidade e que se possam se expressar. É bom ter este tipo de plataforma, que permite que minorias podem trocar ideias, ou noutros casos permitem trocar ideias com os governos ou levar a cabo debates. No limite, estamos focados em tornarmo-nos num local onde as pessoas podem de forma segura e adequada podem entrar em conversação em qualquer ponto do mundo.

Não cedem às pressões de governos mais autoritários?

Nós não escolhemos lados, nem tentamos apoiar os que têm poder contra os que não têm poder. O que nós tentamos garantir é que pode haver um debate robusto e seguro no Facebook. E que podem ser partilhadas ideias e conteúdos antes das eleições.

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