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Keyeway: o jogo que é controlado com os olhos, tem holografia e veio Madeira

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Estudantes de mestrado da Universidade da Madeira foram à conferência CHI 2015arrebatar o prémio de Interfaces Inovadoras em jogos produzidos por estudantes. Keyeway: last meal  é o nome do jogo.

Tão depressa Paulo Bala não esquece a passagem pela Coreia do Sul. Em Seul, o jovem investigador do Instituto de Tecnologias Interativas da Madeira, deu a conhecer o Jogo Keyeway: last meal na competição dedicada aos jogos produzidos estudantes organizada durante na prestigiada conferência CHI 2015. Na hora de embarcar no avião de regresso, o jovem estudante de mestrado da Universidade da Madeira trazia algo novo na bagagem: um diploma que atesta o principal prémio na categoria de Interfaces Inovadoras atribuído na conferência internacional dedicada a interfaces entre homens e máquinas. «Não houve qualquer prémio em dinheiro ou estágio em empresa. É apenas um diploma, que serve de reconhecimento pelo nosso trabalho», explica o jovem madeirense que realizou o mestrado no âmbito da parceria entre a Universidade de Carnegie Mellon e Portugal.

Também Keyeway: last meal tem por ponto de partida uma viagem de avião, mas ao contrário de Paulo Bala, os dois personagens desta aventura acabam por ter de fazer uma aterragem de emergência numa ilha desconhecida. Para salvar o casal que viajava num pequeno Cessna, os jogadores têm de revelar destreza nos comandos de consola, que controlam os movimentos de cada personagem, e também no movimento dos olhos que vai iluminando os diferentes cenários, através da monitorização suportada por um eye tracker

A monitorização do olhar já assume, por si só, contornos de futurismo, mas os sete jovens que criaram o jogo foram ainda mais longe: Keyeway: last meal foi desenhado para se jogar numa tela holográfica, que fica a meio dos dois jogadores, que têm como missão colaborar na busca das peças de um rádio que permitirá lançar um pedido de ajuda.

«Já tínhamos alguma prática com estas tecnologias. Mas só tínhamos cinco semanas para desenvolver este jogo. O que é um período curto. Tivemos de fazer escolhas; e tivemos de simplificar o jogo para que pudesse caber nesta face inovadora», acrescenta Paulo Bala.

Keyeway: last meal é um jogo colaborativo, que pretende tirar partido da transparência da tela holográfica que está a meio dos dois jogadores. «Os jogadores podem ver a cara um do outro enquanto jogam. E um jogador pode ler textos mais compridos que o outro não consegue ler porque surgiram na tela escrito ao contrário», explica Paulo Bala.

A produção de Keyeway: last meal exigiu conhecimentos em C#, o domínio do motor de jogos Unity e algumas adaptações num eye tracker. Na holografia, houve que juntar duas folhas de acrílico, com uma película de projeção holográfica a meio. Esta película, que foi encomendada através da Internet, distingue-se por refletir as imagens emitidas por projetor convencional – tornando-as visíveis aos olhos dos jogadores.

Paulo Bala recorda que o projeto é meramente académico, e não tem pretensões a entrar no circuito comercial. A própria indústria de jogos ainda não estará preparada para o lançamento de jogos que combinam holografia e movimento dos olhos: «A holografia ainda é um campo de investigação relativamente novo, que tem vindo a ser testado em montras de lojas, mas que pode ser usado em jogos e soluções que exijam interatividade. Um jogo como Keyeway: last meal talvez tenha de esperar uns cinco anos para se tornar viável comercialmente. Estes equipamentos não são muito caros nem difíceis de usar, mas ainda vai levar algum tempo até a indústria começar a usar estas tecnologias».

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