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Stadia: tudo o que precisa de saber sobre o revolucionário “Netflix dos jogos” da Google

A plataforma vai permitir jogar títulos AAA em 4K a 60 fps com HDR em computadores, smartphones, tablets e smartTVs

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Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Chamar “Netflix dos jogos” ao Stadia pode não ser a expressão mais correta do ponto de vista técnico, mas o termo ganhou tração global pela forma imediata como remete para a ideia de um serviço de streaming de gaming que pode ser acedido em qualquer lugar e em praticamente qualquer dispositivo – basta ter uma boa ligação à Internet. A novidade foi apresentada na Game Developers Conference e, a cumprir-se o que a Google anunciou (e este é um ponto fulcral porque o que é mostrado neste tipo de eventos nem sempre se repercute exatamente da mesma forma na realidade), o Stadia tem o potencial de revolucionar a indústria de gaming. Agora que a poeira assentou, vamos olhar para este serviço mais a fundo.

Comecemos pela pergunta óbvia: o que é o Stadia? É uma plataforma de streaming da Google cujo conceito prevê que qualquer utilizador possa jogar qualquer título através de uma ligação à Internet e de um dispositivo conectado, que tanto pode ser um computador, um smartphone, um tablet ou uma smartTV. Quer isto dizer que não será preciso adquirir hardware específico para tirar proveito deste serviço, basta que o dispositivo consiga correr o browser Chrome, pois a Stadia recorre à infraestrutura cloud da Google que tem servidores espalhados um pouco por todo o mundo.

E quando a Google fala em jogos, fala em títulos AAA (aqueles em que, basicamente, o desenvolvimento implica maiores investimentos) a correrem em 4K, a 60 fps e com suporte para HDR. Aliás, para o futuro ficou já prometido o suporte para 8K a 120 fps. Em termos de apoios de estúdios, a Stadia já tem a bordo a Ubisoft – cujo Assassin’s Creed: Odyssey foi utilizado nos testes do Project Stream – e a Bethesda, cujo Doom Eternal foi anunciado para a plataforma. A Square Enix (responsável por Tomb Raider ou Final Fantasy, por exemplo) e a Take-Two Interactive (da franchise NBA 2K) também foram referidas no evento. Além disso, a Google vai criar o seu próprio estúdio – o Stadia Games and Entertainment – para desenvolver títulos exclusivos para esta plataforma.

A sustentar este desempenho estará hardware da AMD. Segundo a Google, cada servidor da Stadia irá conter um processador x86 customizado a 2,7 GHz, 16 GB de RAM e uma GPU customizada da AMD capaz de 10,7 teraflops de performance – será até possível recorrer a múltiplas GPU para se melhorar a qualidade dos gráficos em vez de se ficar limitada a uma. Para se fazer uma breve comparação, a Xbox One X consegue 6 teraflops e a PS4 Pro chega aos 4,2 teraflops. Em termos de sistema operativo, a escolha recaiu em Linux.

A Google desenvolveu igualmente um comando para jogar no Stadia, que parece um híbrido entre as soluções atuais da PS4 e da Xbox One. As funcionalidades são semelhantes, mas há um fator diferenciador: possui Wi-Fi. Isto permitirá ao comando ligar-se diretamente ao jogo que está a correr no centro de dados para ser mais facilmente trocado entre diferentes dispositivos – do smartphone para a televisão e por aí fora. Além disso, possui um botão para ativar o Google Assistant.

Algumas das outras novidades do Stadia são: a possibilidade de os criadores incluírem um link para Jogar no fim de um trailer do YouTube, que redireciona rapidamente os utilizadores interessados no browser Chrome; o Crowd Play, que permite aos espetadores de um livestream no YouTube esperarem em fila para se poderem juntar ao jogo que está a ser emitido; e o State Share, que deixa os utilizadores partilharem links para secções específicas do jogo, fazendo com que a ação seja resumida a partir daí.

Ainda não foi anunciada uma data específica para o lançamento oficial, mas o Stadia chegará ainda este ano à maioria dos países europeus, aos Estados Unidos e Canadá. Contactados pela Exame Informática, os responsáveis pela comunicação da Google em Portugal revelam que ainda não têm confirmação oficial sobre se Portugal estará ou não nessa primeira lista de países europeus.

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