O jornalista francês acaba de lançar um livro que elenca vários episódios e queixas sobre o papel perverso que o Powerpoint (e, presume-se que também as aplicações equivalentes) têm na transmissão e análise de ideias.
As conclusões do livro são pouco abonatórias tanto para os produtores da aplicação como para os mais de 500 milhões de potenciais utilizadores do Powerpoint: "Procura-se mais a exibição do que a demonstração e há uma tentativa de hipnotizar o público e limitar a sua capacidade de raciocínio", declara Franck Frommer, em entrevista ao El Pais.
O autor francês salienta que do ponto de vista tecnológico, o Powerpoint nada tem de errado - é antes o uso viciado da aplicação que estará a limitar multidões inteiras de pensarem bem no que veem durante conferências, apresentações, reuniões ou debates.
Fromer dá como prova da capacidade estupidificante do Powerpoint a facilidade com que as pessoas discursam sobre um determinado tema, quando estão em público. Até porque muitas dessas pessoas simplesmente têm de decorar o slogans e frases curtas que acompanham os diapositivos que são apresentados.
"Em muita organizações, quem usa uma apresentação em PowerPoint não se sente responsável por aquilo que diz. Essas pessoas consideram que não estão comprometidas com o que dizem porque simplesmente não foram elas que criaram essas aplicações", acrescenta Frommer, lembrando que o uso de apresentações criadas por terceiros já é um hábito generalizado nos países desenvolvidos.
O livro agora editado retoma e dá voz a críticas que várias personalidades conhecidas proferiram no passado sobre o PowerPoint (do general Stanley McChrystal que considera o PowerPoint o maior inimigo do exército dos EUA no Afeganistão ao investigador Edward Tufte que admitiu que a explosão do vaivém Columbia poderia ser evitada caso não se abusasse dos programas de apresentações).
Em jeito de balanço, Frommer alerta para os perigos do uso do PowerPoint em salas de aula: "anula o intercâmbio e não permite a interação".
***Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico***
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