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A startup do Porto que despertou o interesse do governo chileno

O Startup Pitch Day do Uptec distinguiu as duas melhores apresentações de startups. A WiseNetworks não teve o melhor discurso, mas acabou por sair a ganhar deste evento.

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Em seis meses de gestação de ideias de negócio, a mais recente leva de 22 pré-incubadas do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (Uptec) garantiu mais de 87 mil euros de capital destinado à constituição de empresas. Quase metade do investimento foi garantido ontem no Startup Pitch Day, quando o governo chileno fez saber da intenção de 40 mil dólares na startup WiseNetworks.

A WiseNetworks é uma pré-incubada do Uptec para desenvolver e explorar comercialmente sistemas de monitorização remota, que permitem medir a temperatura,  radiação solar, velocidade do vento, pluviosidade, humidade e outras variáveis importantes para uma exploração agrícola.

Além dos 40 mil dólares anunciados ontem, as incubadas do Uptec garantiram ainda investimentos através de vários prémios de empreendedorismo. Clara Gonçalves, assessora executiva do Uptec, nos próximos tempos poderão ser anunciados mais investimentos. «Durante o dia de ontem, registámos várias demonstrações de interesse por parte dos vários business angels e entidades especializadas em capital de risco, mas também de grandes empresas como a Microsoft, a Vodafone, Efacec a PT, a Google ou a Sonae, que em alguns casos fizeram parte do júri do evento».

A WiseNetworks garantiu o investimento necessário para figurar entre 85 empresas de vários pontos do mundo que foram selecionadas para o programa StartupChile, mas não ganhou qualquer prémio no evento. A MQueue, uma pré-incubada que criou uma app para telemóveis que permite seguir ou marcar um lugar de uma fila de um serviço público, ganhou o prémio de melhor pitch; a HealthyRoad, que desenvolveu uma solução que tem em vista o desenvolvimento de um retrovisor que monitoriza o cansaço de camionistas ficou em segundo lugar no que toca à qualidade da apresentação; em terceiro lugar, ficou o pitch da Zizabi, que teve por objetivo dar a conhecer uma plataforma online que facilita a descoberta e a visualização da casa com as características mais indicadas para cada perfil de comprador. 

Saber apresentar uma ideia de negócio é importante – mas não é tudo. «Ter o melhor pitch não é sinónimo de ter os melhores projetos», atenta Clara Gonçalves.

Nos últimos sete anos, o Uptec já apoiou 141 projetos empresariais. Deste total, há 16 empresas que já se “graduaram” e começaram a desbravar mercados aquém e além fronteiras.

O Startup Pitch Day de ontem foi o “primeiro dia do resto das vidas” de 22 novos projetos que terão de garantir o interesse de business angels, capital de risco ou o capital próprio, para seguirem a via empresarial para lá dos três anos de incubação no Uptec.

Os 22 projetos que debutaram ontem foram apresentados ao público em três grupos: startups de produtos; startups especializadas no mercado das redes móveis; e startups relacionadas com as indústrias criativas. «A área das TI tem tido um grande crescimento, em especial no desenvolviomento de soluções Web para o segmento móvel. É uma área em que assistimos a um grande crescimento no que toca a recursos humanos disponíveis. Além disso, temos registado o aparecimento de vários projetos nas áreas da saúde e da biotecnologia, que geralmente são mais complexas. Por fim, criámos um grupo de projetos relacionados com a arquitetura, média digitais, e design», descreve Clara Gonçalves.

Os três anos de incubação no Uptec não são uma garantia de sucesso empresarial – apenas pretendem funcionar como rampa de lançamento de ideias de negócio para o mundo. A criatividade e a inovação podem ajudar a criar boas ideias, mas nem sempre são o fator de sucesso mais decisivo. «Mais importante que a ideia é o perfil de quem está a promovê-la. Estes projetos têm de passar por fases complicadas; é um processo longo, que exige grande resiliência por parte dos futuros empresários», conclui Clara Gonçalves.