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Edge clouds: em breve, também em estádios e táxis portugueses

Dois estádios deverão estrear, nos próximos meses, as primeiras edge clouds a operar em Portugal. A tecnologia também vai estar disponível em táxis.

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Priya Narasimhan, professora e investigadora da Universidade de Carnegie Mellon, veio a Portugal mostrar como se faz uma edge cloud: «Se 65 mil pessoas que estão num estádio usarem a mesma rede ao mesmo tempo talvez não se consiga grande tipo de comunicação. Mas se dividirmos essas pessoas em grupos e as pusermos a usar tecnologias como Bluetooth – Low Energy, Wi-Fi Direct ou Ad-Hoc talvez já possamos partilhar conteúdos entre todas essas pessoas».

Nos próximos meses, Portugal deverá começar a conhecer o potencial das edge clouds. No âmbito da parceria entre o estado português e a Universidade de Carnegie Mellon deverão ser instalados em dois estádios portugueses as primeiras clouds temporárias que recorrem a comunicações de rádio alternativas às redes de telemóveis e aos acessos à Net fixos. 

O mesmo projeto de investigação contempla ainda a integração de táxis portugueses em redes de edge clouds. Nos táxis, a tecnologia poderá ser usada para a troca de informação sobre o tráfego entre veículos. 

O projeto, que é conhecido por Hyrax, é uma das principais iniciativas empreendedoras de investigação do programa Carnegie Mellon Portugal. No projeto participam investigadores do Inesc Tec, da Universidade Nova de Lisboa, Intsituto de Telecomunicações, e também as empresas Wavecom, Yinzcam, e Geolink.

Para instalar uma edge cloud não será necessário instalar qualquer hardware ou dispositivo de comunicações. 

O projeto, que conta com a participação de estudantes de mestrado e doutoramento portugueses, pressupõe apenas a instalação de software nos dispositivos que pretendem aceder à cloud temporária para trocar informação. A lógica do crowdsourcing, que tira partido do poder das multidões, também é determinante para que estas nuvens computacionais sejam bem sucedidas.

 «Todos nós temos hoje telemóveis com maior capacidade computacional que os servidores que usávamos no passado. Num estádio, essa capacidade pode ser especialmente valorizada, uma vez que os conteúdos podem estar armazenados nos dispositivos dos utilizadores e são fáceis de aceder. O que significa que posso usar as imagens captadas por uma pessoa que está mais perto da baliza para poder ver um golo de um ângulo diferente. Com este tipo de lógica posso criar novos modelos de negócio», explica Priya Narasimhan.

A investigadora da CMU recorda que as edge clouds devem permitir a comunicação direta entre dispositivos, sem servidores ou nuvens computacionais como intermediários. 

Esta arquitetura promete abrir caminho a uma nova geração de apps e negócios – mas também pode salvar vidas.  «Poderá não ser para todos os cenários, mas noutros pode revelar-se a melhor alternativa. Por exemplo, num cenário de tragédia estas edge clouds podem ser usadas para bombeiros e ambulâncias comunicarem entre si, sem necessitarem de servidores ou recorrerem às redes de telecomunicações tradicionais», conclui Priya Narasimhan.

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