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São Tomé e Príncipe quer resgatar domínio de topo .st

Em 1997, o domínio de topo .st foi tomado pela empresa Tecnisys. Hoje, o mesmo domínio é explorado comercialmente por uma empresa sueca. DNS.pt vai gerir domínios de topo de quatro países lusófonos. 

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A DNS.pt, associação que gere os endereços de Internet terminados em .pt, acaba de assinar um acordo com as autoridades de São Tomé e Príncipe com o objetivo de prestar apoio no resgate do domínio .st.

Desde 1997 até à data que o domínio de topo do arquipélago africano é pertença da Tecnisys, empresa santomense. A Tecnisys, que tem como principal contacto administrativo Aguinaldo Salvaterra, transferiu o suporte técnico e toda a exploração comercial do domínio .st para uma empresa sueca que tem a denominação Bahnhof AB. 

Nos últimos 18 anos, a Tecnisys e a Bahnhof asseguraram o domínio de topo manteve-se inalterada – e só uma notícia de 2004, que dava conta de que o domínio alojava mais de 300 mil endereços de pornografia, terá chamado a atenção para o facto de o governo santomense, na realidade, não ter qualquer poder na gestão domínio de topo do país. 

Luísa Gueifão, diretora da DNS, está otimista quanto ao resgate do .st:  «Vamos tentar entrar em contacto com Aguinaldo Salvaterra e a Tecnisys para chegar a um acordo. Se não chegarmos a um acordo, vamos trabalhar com o governo de São Tomé e Príncipe para solicitar a redelegação do domínio junto da Internet Assigned Numbers Authority (IANA). Acho que vamos conseguir a redelegação. Pode ser um processo mais lento ou mais rápido, mas vamos conseguir a redelegação».

O domínio de topo .st foi parar às mãos da Tecnisys e de Aguinaldo Salvaterra numa altura em que grande parte do globo ainda não tinha despertado para a Internet. A própria IANA funcionava de forma bastante diferente – o que explica a atribuição do domínio de topo do país a um cidadão santomense, que não representava o governo do país lusófono. 

Hoje, o governo santomense já está desperto para a importância da Internet no dia-a-dia, e a IANA já lida de forma diferente com os potenciais abusos de que alguns domínios de topo foram alvo nas décadas passadas. Um exemplo: em junho do ano passado, a DNS.pt conseguiu recuperar outro domínio de um país de língua oficial portuguesa – o .gw, da Guiné Bissau. 

Antes dessa data, o .gw funcionou como propriedade de uma Fundação de origens e propósitos pouco claros. Com o apoio da DNS.pt, a Autoridade Reguladora Nacional - Tecnologias de Informação e Comunicação da Guiné-Bissau conseguiu obter a redelegação do domínio junto da IANA. Em novembro, o .gw iniciou nova vida. Até à data foram registados 100 domínios com este sufixo.

Luísa Gueifão admite que o número de cidadãos e marcas interessadas em registar um endereço em .st também não seja elevado, mas reitera que a redelegação do domínio de topo de São Tomé e Príncipe «é uma questão de justiça».

Além do processo de redelegação, o acordo com as autoridades santomenses atribui à DNS.pt a manutenção técnica do domínio de topo .st. Caso consiga a redelegação do .st junto da IANA, a DNS.pt passa a garantir a gestão técnica dos domínios de topo de metade dos oito países lusófonos (atualmente, gere o .pt de Portugal; o .cv de Cabo Verde; o .ao de Angola).

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