exameinformatica

Uma parceria EXPRESSO

Siga-nos nas redes

Perfil

Mercados

A BQ vista por dentro

Fomos a Madrid ver como é concebido um dispositivo BQ desde a raiz e assistimos aos testes que os equipamentos têm de superar antes de chegarem às mãos dos consumidores.

  • 333

Paulo Matos

Área da equipa de design mecânico

Área da equipa de design mecânico

Um dos laboratórios de testes

Um dos laboratórios de testes

Nomes de código inspirados no Dragon Ball

Nomes de código inspirados no Dragon Ball

Rodrigo del Prado, diretor adjunto da BQ, na zona de testes de Wi-Fi

Rodrigo del Prado, diretor adjunto da BQ, na zona de testes de Wi-Fi

Krillin, Bulma, Freezer… – se for fã do Dragon Ball, vai reconhecer estas palavras como personagens da série de animação, mas muito poucos saberão que são igualmente os nomes de código dos dispositivos da BQ quando ainda estão em fase de desenvolvimento. Este detalhe geeky é apenas um exemplo das muitas coisas que nos foram reveladas durante uma visita à sede da BQ em Madrid.

A empresa espanhola conta atualmente com mais de 100 engenheiros para fazerem o desenvolvimento conceptual de raiz dos seus produtos e isso implica que no espaço que a BQ ocupa em Las Rozas, nos arredores de Madrid, hajam quatro equipas a trabalhar para o desenvolvimento de smartphones, tablets, impressoras 3D e kits de robótica, cada uma delas focada numa área específica: design mecânico, hardware, desenvolvimento de software e controlo de qualidade. Ao longo de nove meses – período de tempo típico para o desenvolvimento de um novo produto –, estas equipas trabalham para fazer chegar às mãos dos consumidores dispositivos que pretendem ser inovadores.

No total, são cerca de 200 pessoas nestas instalações, onde, independentemente do local para onde olhemos, parecem haver impressoras 3D e objetos impressos graças a esta tecnologia… O que, afinal de contas, até nem deveria espantar, já que a BQ não só fabrica e exporta impressoras 3D para todo o mundo, como aproveita para imprimir peças em 3D e usá-las um pouco por todo o escritório.

Um dos locais de eleição para a utilização das peças em 3D são os laboratórios de testes que a BQ tem na sua sede. É verdade que algumas das máquinas de testes são compradas e custam largos milhares de euros (por exemplo, havia duas que custaram meio milhão de euros), mas outras são desenhadas pelos profissionais da empresa e têm os componentes impressos em 3D. E há máquinas para tudo nestes testes a dispositivos. Os mais impressionantes do ponto de vista visual são os que testam a resistência do chassis do equipamento: há um teste em que o smartphone é colocado dentro de um equipamento que funciona quase como uma máquina de lavar e anda consecutivamente à roda; e outro que simula o bolso traseiro de umas calças e coloca sucessivamente o dispositivo à prova para ver se dobra.

Mas não se pense que a BQ é apenas uma empresa que constrói dispositivos. As pessoas que seguem a companhia mais de perto sabem que está próxima da comunidade de makers, apostando numa filosofia de Do It Yourself e de Open Source, tendo nos kits de robótica para crianças a aplicação prática desta aposta. Na nossa mão tivemos um livro escolar espanhol para estudantes do 9º ano que lança uma série de desafios aos jovens no campo da robótica, tanto a nível de programação como de construção.

Feitas as contas a nível global, a BQ já conta com mais de mil colaboradores, de 25 nacionalidades diferentes e cuja média de idade ronda os 31 anos – em 2010 eram 16 colaboradores… E a evolução do volume de negócios da empresa também apresenta números interessantes: de €3,8 milhões em 2010 até €202,5 milhões no ano fiscal de 2014. Todas estas mudanças fizeram até com que a BQ mudasse a sua imagem corporativa, passando a ostentar um logótipo onde cada um dos pontos corresponde ao toque dos dedos de uma mão. Até onde irá a BQ? Depende dos consumidores – está, literalmente, nas suas mãos…

  • 333