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Em Aruba, há uma tecnologia portuguesa que conhece viajantes pela cara

Com 25 milhões de euros de faturação e oito empresas espalhadas pelo mundo, a Vision-Box é hoje líder incontestada do controlo de fronteiras através do rosto. Nas Antilhas, a empresa portuguesa levou o reconhecimento facial a um novo patamar.

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Hugo Séneca

Tudo começa com o check-in. E no Aeroporto Internacional Rainha Beatriz, na Ilha de Aruba, não é diferente. O passageiro chega ao guichet, diz para onde vai, o lugar de destino e mostra o passaporte. E aí, sim, começa a novidade. Se tiver um passaporte eletrónico e der o consentimento, o passageiro mostra o rosto para uma câmara que lhe capta os dados biométricos. A partir desse momento, só terá de mostrar essa mesma cara em todos os controlos de segurança e encaminhamento de passageiros até chegar ao avião – sempre sem precisar de mostrar o passaporte novamente. Por enquanto, é apenas um teste que está limitado aos voos da KLM entre a ilha das Antilhas Holandesas e o aeroporto de Amesterdão. Bento Correia, diretor e fundador da Vision-Box, acredita que, em breve, terá outras novidades para contar sobre a solução que dá pelo nome de Happy Flow: «futuramente, haverá mais operadores a usar esta tecnologia».

Com a tecnologia instalada em Aruba, a Vision-Box está apostada em arrancar com uma nova fase de exploração da tecnologia estreada em 2007 no Aeroporto de Faro, com a instalação das primeiras “gates” do mundo que identificam viajantes a partir de passaportes eletrónicos e dados biométricos do rosto. O aeroporto de Aruba  também usa a mesma tecnologia, mas expande-a para todas as fases de identificação de passageiros dentro de um aeroporto: uma vez feito o primeiro reconhecimento aquando do check-in, o utilizador apenas tem de mostrar a cara perante uma câmara para o sistema o reconhecer e lhe dar passagem em cada ponto de controlo.

Para a Vision-Box é um novo filão que se perfila: depois de garantir uma quota de mercado de 90% entre os aeroportos que usam tecnologias similares, a companhia portuguesa eleva a fasquia nas funcionalidades que ajudam à gestão dos espaços aeroportuários e evitam incómodos para os passageiros. 

«O reconhecimento facial não é obrigatório, mas já é um fator diferenciador no que toca à competitividade de um aeroporto. Se vou fazer escala num aeroporto e sei que vou ter de perder duas horas numa fila para mostrar o passaporte a um agente da fronteira, se calhar já penso duas vezes, e já vou tentar fazer escala noutro aeroporto, que me permite usar uma tecnologia que me poupa esse tempo de espera», refere Bento Correia, apontando os aeroportos americanos como exemplo de mercado que poderá vir a beneficiar substancialmente da introdução de sistemas de identificação de passageiros através do rosto.

Com alguma regularidade, Bento Correia recebe propostas investidores que pretendem comprar a totalidade ou parte do capital da empresa sedeada em Alfragide. Os números e a evolução da empresa ajudam a compreender a insistência: hoje, a Vision-Box é líder incontestada no nicho de mercado, emprega 250 pessoas, fornece soluções para 50 aeroportos, monta todo o equipamento numa fábrica de Alfragide, e abrange oito empresas que cobrem os negócios à escala mundial. A faturação de 25 milhões de euros, pouco comum entre as tecnológicas portuguesas, dificilmente passa despercebida entre homens de negócios e peritos do setor. Recentemente, a empresa portuguesa recebeu ainda a distinção do governo britânico pelo trabalho efetuado na expansão do negócio.

Bento Correia recorda que o setor aeroportuário e o controlo automático de fronteiras têm vindo a registar crescimentos assinaláveis e por isso prefere enveredar por planos de crescimento diferentes daqueles que lhe apresentam os investidores: «queremos ir para a bolsa durante os próximos cinco anos. Eventualmente, iremos para a bolsa nos EUA, uma vez que se trata do mercado mais maduro nas áreas em que trabalhamos».

Mais do que inibir a evolução tecnológica, as questões de segurança podem revelar-se um motivo acrescido para a adoção de sistemas que usam o reconhecimento facial e os passaportes eletrónicos em zonas de fronteira, defende Bento Correia: «Numa gate produzida por nós, há, em teoria, uma taxa de falsa aceitação (alguém que passa com um passaporte falso ou que não é o seu) de um caso por 10 mil passaportes apresentados. Nos processos manuais, em que o passaporte é mostrado a um agente numa fronteira, essa mesma taxa chega a cinco casos por cada centena de passaportes». 

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