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Meethub: do espaço para a mesa de reuniões

A Meethub é uma plataforma que organiza automaticamente reuniões entre centenas de pessoas e evita conflitos de agenda. Em Portugal, tem poucos utilizadores, mas lá fora já começou a marcar reuniões com um algoritmo usado no espaço.

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Hugo Séneca

Em Portugal não há grande tradição, mas na Alemanha e no Reino Unido os eventos especializados em reuniões há muito que têm clientela assegurada. «Há quem chegue a pagar dois mil euros para poder ter 10 ou 20 reuniões num ou dois dias», explica Pedro Coutinho, líder da Meethub. A Meethub não pretende substituir os organizadores dos denominados “speed meetings”, mas quer superar a concorrência com uma ferramenta que resolve um problema que tende a ganhar complexidade à medida que o número de participantes cresce: a organização da agenda de dezenas ou centenas de pessoas durante os dias de um evento.

O negócio começou a ser pensado há cinco anos, quando Pedro Coutinho recebeu uma sugestão inesperada do ex-colega Ed Chester. Ambos haviam trabalhado anteriormente na indústria espacial – e, desta vez, Chester propunha usar na organização de reuniões um algoritmo desenvolvido originalmente para otimizar as comunicações entre satélites e a Terra. Só em 2012, teve lugar a estreia, com o lançamento da aplicação em Munique, Alemanha. E foram assim angariados os primeiros clientes para esta «plataforma mutlievento» 

«O utilizador pode escolher com quem quer reunir ou, pelo menos, definir as características. E escusa de estar a enviar mensagens para saber se há ou não disponibilidade. O algoritmo trabalha toda a informação e dá, por fim, os resultados», descreve Pedro Coutinho.

Nos últimos três anos, a Meethub já foi usada em mais de 70 eventos, com mais de 40 clientes de sete países, e por mais de 3000 utilizadores que realizaram mais de 4000 reuniões. Pedro Coutinho admite que os números ainda são reduzidos, mas recorda que o negócio tem vindo a ser reposicionado a fim de ganhar tração. No início, a startup começou por garantir os primeiros clientes junto de organizações de eventos que se realizam anual ou semestralmente. Nessa altura, a aplicação tinha como vantagem a possibilidade de os utilizadores finais poderem escolher o perfil ou as características de pessoas com quem estariam dispostos a encontrar-se.

Hoje, a mesma plataforma já tem como objetivo chegar ao segmento das empresas especializadas na realização de reuniões, que realizam múltiplos eventos ao longo do ano. «Estas empresas especializadas têm várias questões e problemas para resolver durante os eventos que realizam e não querem ter de se preocupar com uma aplicação específica (na organização de reuniões)», refere Pedro Coutinho. 

Para ganhar esse nicho, a Meethub tem vindo a projetar um interface que poderá facilitar a integração em soluções empresariais de diferentes marcas de software e backoffices usados pelas empresas especializadas em “speed meeting”.

A maioria dos portugueses pode não perceber o potencial da Meethub – mas lá fora já começaram a chegar as primeiras provas de reconhecimento. O governo britânico acaba de distinguir a empresa com uma distinções UKTI para a área do empreendedorismo. Será que chega para fazer um negócio?

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